Encerrando o assunto

Para encerrar o assunto do Festival de Cinema de Brasília, o documentário de encerramento, Hércules 56, de Sílvio Da-rin, conta a história do seqüestro do embaixador americano, em 1969. São dois pontos de vista: o dos seqüestradores, militantes de organizações de luta armada , como Franklin Martins e outros, reunidos em torno de uma mesa lembrando detalhes de tudo; e o dos presos trocados pelo diplomata. Eram 15 na época, mas seis morreram, então os nove remanescentes foram ouvidos, incluindo José Dirceu, Maria Augusta, José Ibrahin, Flávio Tavares, Vladimir Palmeira. Importante relato de um momento mítico da esquerda no Brasil, bom para resgatar imagens e fatos, e também para crítica e autocrítica sobre a política adotada na época.
Beijos mil!

Clara Arreguy, quinta-feira, novembro 30, 2006. 0 comentário(s).

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Farkas e Tendler

Um encontro histórico que o Festival de Brasília possibilitou foi o do fotógrafo Thomaz Farkas com alguns bambas da música popular brasileira. Em 1954, Farkas filmou Pixinguinha, Donga, Almirante e outros numa performance musical, de dança e alegria, no Parque do Ibirapuera. 50 anos depois, achou a jóia de 10 minutos, sem som, e montou um curta precioso, Pixinguinha e a velha guarda do samba, dublado com música dos caras. Genial.
Outro destaque do festival, que terminou ontem: o documentário de Sílvio Tendler Encontro com Milton Santos ou o mundo global visto do lado de cá, que dá uma aula de política, geografia, ciências humanas e resistência ao capitalismo como sistema único num mundo de miséria e exclusão. Depoimentos, imagens documentais sobre revoltas na América Latina, África, trechos de filmes, mapas, desenhos - o diretor compõe um quadro amplo, movimentado, a partir do pensamento do geógrafo brasileiro para mostrar que há esperança no mundo.

Clara Arreguy, quarta-feira, novembro 29, 2006. 0 comentário(s).

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Ratton e Frei Betto

Outro destaque no Festival de Brasília foi o longa Batismo de sangue, de Helvécio Ratton, baseado no livro homônimo de Frei Betto, sobre a militância de dominicanos contra a ditadura militar. Forte, importante como denúncia, mas também como cinema, com interpretações vigorosas do elenco mineiro (em sua maioria), puxado por Jorge Emil, Daniel de Oliveira e Marku Ribas, e também nacional (destaque para Caio Blat e Cássio Gabus Mendes). Em que pese a violência às vezes excessiva nas cenas de tortura, trata-se de um importante momento histórico do país resgatado com a força narrativa de um grande diretor.
Beijos!

Clara Arreguy, segunda-feira, novembro 27, 2006. 0 comentário(s).

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Vladimir e Zé Lins

Dois mestres: Vladimir Carvalho e José Lins do Rego. O primeiro fez o longa O engenho de Zé Lins, sobre o segundo, concedendo ao homenageado a honra merecida - e esquecida pelo país nos últimos anos. O filme é forte e delicado, ao reunir um time de feras históricas para contar a vida e a personalidade do escritor. Ariano Suassuna, Carlos Heitor Cony, Rachel de Queiroz, Thiago de Melo, parentes e amigos de Zé Lins dão depoimentos tocantes, em que se desvenda uma comovente história que redundou em perda de memória pelo país e em decadência geral. Uma triste beleza, uma bela tristeza.
Beijocas!

Clara Arreguy, domingo, novembro 26, 2006. 0 comentário(s).

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Agito cinematográfico

Começou esta semana o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, uma festa aqui na capital federal comparável àquela que fazem os belo-horizontinos no tempo do Festival Internacional de Teatro (FIC). Aqui, todos se mobilizam, animam o Cine Brasília, o Hotel Nacional, o Teatro Nacional, onde houver exibição de filmes ou badalação de artistas, antes e depois das sessões. Tem muita produção local, muita coisa legal de outros estados. No primeiro dia que fui, gostei do longa paulista Querô, de Carlos Cortez, baseado em Plínio Marcos, e do curta brasiliense Dia de folga. Amanhã comento o que mais vi.
Um beijão!

Clara Arreguy, sábado, novembro 25, 2006. 0 comentário(s).

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Ele é demais

Quem ainda não conhece o Ozzy precisa conhecer. Ele é um menino muito doido que o Angeli criou e freqüenta as páginas de quadrinhos da Folha. Em revista, ele saiu já em quatro volumes - o terceiro e o quarto acabam de chegar às lojas. No 3, tiras com as aventuras de Ozzy e sua família, embates com pai e mãe (moderninhos demais pro Ozzy) e principalmente com a prima Ercília, o oposto dele em tudo, ele pura bagunça, ela pura arrumação, e toda certinha assim vai passar uma temporada no quarto dele! No 4, os bichinhos de estimação do Ozzy, as lesmas carnívoras gigantes, além de coleguinhas de escola e outros tipos em volta. Engraçadíssimos.
Beijos em todos!

Clara Arreguy, domingo, novembro 19, 2006. 0 comentário(s).

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Bom demais

O escritor mineiro Luiz Ruffato (radicado em São Paulo) acaba de lançar Vista parcial da noite, terceiro volume de sua trilogia Inferno provisório. No mesmo formato caleidoscópico dos dois primeiros, o romance mergulha no universo de sua Cataguases natal, nos anos 60 e 70, momento de passagem de uma realidade rural para um novo tempo, marcado pela industrialização e suas conseqüências, como a favelização, o empobrecimento, a marginalização. Os personagens da trilogia de Ruffato são atravessados pela falta de perspectiva, pela loucura, pela desagregação interior e exterior. Assim como eles, a literatura do escritor explora todas as possibilidades formais, discursos, estruturas; casa e costura prosa e poesia, numa radical e séria brincadeira com a palavra, sua especialidade. Bom demais.
E muitos beijos!

Clara Arreguy, quarta-feira, novembro 15, 2006. 0 comentário(s).

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Um dos prediletos

Um dos meus autores de romances policiais prediletos é o sueco Henning Mankel. Dele, a Companhia das Letras acaba de lançar O que homem que sorria, nova aventura do inspetor Kurt Walander. Desta vez, ele começa a história deprimido porque, um ano antes, matou um homem (pela primeira vez) e, afastado da polícia durante todo esse período, decidiu abandonar a corporação. A morte de dois advogados, pai e filho, porém, irá alterar os rumos da vida de Walander, que se sente impelido a retornar à delegacia e comandar as difíceis investigações do caso. Mais uma vez, Mankel trabalha a questão policial tendo como pano de fundo as transformações sociais, principalmente de sua Suécia, cuja qualidade de vida se viu, nas décadas mais recentes, atingida em cheio pela globalização - da violência, da criminalidade, da falta de limites para os podres poderes econômicos. Leitura de alto nível, como sempre.
Beijinhos!

Clara Arreguy, terça-feira, novembro 14, 2006. 0 comentário(s).

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Novo Scorsese

Os infiltrados, de Martins Scorsese, possui o mesmo vigor que os costumeiros filmes de máfia do cineasta norte-americano. Desta vez ambientado fora de Nova York (em Boston, mais especificamente), não poupa provas da capacidade de traição, crueldade e baixeza para contar uma história em que poucos se salvam de uma peneirada ética - sim, até mesmo as organizações criminosas têm uma ética. O desenvolvimento da história é sensacional, envolvendo o espectador na angústia do funil em que se metem os protagonistas (os lindões e ótimos atores Leonardo DiCaprio e Matt Damon) e no carisma do megavilão vivido por Jack Nicholson, destaque num elenco cheio de bons nomes. Um filme à altura da trajetória deste grande diretor.
Beijocas!

Clara Arreguy, segunda-feira, novembro 13, 2006. 0 comentário(s).

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Versão paulista

Pude ver, no Festival Internacional de Cinema de Brasília, o longa Antônia, de Tata Amaral, que deu origem à série televisiva que estréia na próxima sexta, na Globo. O filme tem muitas qualidades e um defeito chato: a câmera nervosa, que simula realidade e tensão. Não sei se alguém gosta daquele treme-treme - eu não. Quanto aos méritos, são muitos: a história das quatro meninas de uma periferia paulista, que lutam para realizar o sonho de cantar, esbarra na violência e nas mesmas restrições que a população mais pobre do país; as atrizes são lindas e cantam maravilhosamente; a música é ótima, a ambientação, perfeita. Parece uma versão paulista de Cidade de Deus, no bom sentido.
Beijos!

Clara Arreguy, domingo, novembro 12, 2006. 0 comentário(s).

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Outro mestre das HQs

O italiano Milo Manara, mestre do erotismo nas HQs, tem sua revista A metamorfose de Lucius lançada pela Pixel. Mais uma história mirabolante. Ambientada na Antigüidade clássica, conta a saga de um jovem herói que, entre peripécias sexuais, cai na tentação de lambrecar o corpo com um óleo enfeitiçado (achando que vai criar asas e voar) e se transforma em burro. Daí é vendido, roubado, submetido a sevícias e maus-tratos. Depois de passar por mil agruras, e até de ser seduzido por uma bela mulher (com direito a zoofilia explícita), ele finalmente reverte o feitiço. O desenho de Manara é sensacional, ele próprio coloriu com pincel. E a ousadia não tem limites.
Beijos mil e acessos ao blog, dois mil! Parabéns para nós!

Clara Arreguy, sexta-feira, novembro 10, 2006. 1 comentário(s).

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Um Altman

Um filme de Robert Altman terá sempre a marca registrada de um mestre. É o caso de A última noite, que mostra o show de despedida de uma rádio vendida para a especulação imobiliária. Como sói ser nas direções do cineasta americano, uma galeria de tipos interessantes se junta em histórias cruzadas, desta vez tendo como ligação os bastidores do programa: uma dupla de irmãs cantoras (Meryl Streep e Lily Tomlyn em ótimo contraponto), a filha da primeira delas (Lindsay Lohan, grande talento jovem), uma dupla de cantores country de humor (Woody Harrelson e John c. Reilly, divertidíssimos), outros artistas e "entorno", com face humana ressaltada pela leveza e emoção. Quem conduz tudo, como roteirista (do filme) e apresentador (do show) é Garrison Keillor; Kevin Kline inventa um estranho narrador; Tommy Lee Jones faz praticamente uma ponta, o que não é pouco. A música da melhor qualidade e a mescla de arte e vida envolvem e prendem o espectador.
Beijinhos!

Clara Arreguy, domingo, novembro 05, 2006. 0 comentário(s).

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Um filme imperdível

O ano em que meus pais sairam de férias, de Cao Hamburger, é imperdível. Não só pela história do menino deixado pelos pais em São Paulo, quando eles têm que fugir da ditadura militar, em 1970. Não só pela deliciosa (e emocionante) mescla de política e futebol, em plena campanha do tri. Não só por fazer um recorte poético sobre um país e uma cidade forjados nas diferenças culturais. Não só pelas interpretações impressionantes das crianças e dos adultos protagonistas. Não só pela música, fotografia, montagem. O ano em que meus pais saíram de férias parte de uma belíssima história para falar de perda e abandono, de crescimento e dor, de descoberta e desejo. Tudo pela ótica de um menino na curva entre a infância e a adolescência, num Brasil em transformação. Quanta poesia, quanta realidade. Já está nos cinemas. Não percam!
E beijos!

Clara Arreguy, sexta-feira, novembro 03, 2006. 0 comentário(s).

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Bethânia em dobro

Não sou muito de falar de música aqui, privilegio literatura, cinema, quadrinhos... Mas de vez em quando é bom dar a dica: Maria Bethânia acaba de lançar dois discos de inéditas, Pirata e Mar de Sophia. No primeiro, o tema geral é o rio. No segundo, o mar. Entremeando sambas e canções, poemas e trechos recitados por ela (com a competência de sempre). No primeiro, Guimarães Rosa, a roça, o sertão, o mundo interior. No segundo, Sophia de Mello Breyner, o mundo exterior, a viagem para fora, o cais, o porto. Quanta beleza naquela voz, naqueles arranjos, na poesia que perpassa tudo. Uma artista à beira da perfeição.
Ah, e só pra não deixar passar batido, a Universal também acaba de lançar, de Bethânia, uma coletânea dupla só com músicas de Chico Buarque, muitas em dueto dela com ele. Outra fonte de maravilhas sem fim.
Beijos e bom feriado para quem estiver, como eu, folgando!

Clara Arreguy, quinta-feira, novembro 02, 2006. 0 comentário(s).

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Papo de machão

Macho não ganha flor é o (sugestivo) título do novo livro de Dalton Trevisan. No estilo que consagrou o Vampiro de Curitiba, contos curtos falam de sexo, drogas e barra pesada entre personagens que habitam a marginalidade da capital paranaense - nem por isso menos universais. Irônico, rasgado, erótico, o mestre não perde a verve afiada e mais uma vez seduz o leitor com histórias de tirar o fôlego e tipos que despertam amor e ódio.
Beijocas!

Clara Arreguy, quarta-feira, novembro 01, 2006. 0 comentário(s).

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