Inteligência no ar



Foto: Divulgação/Rede Globo


Enquanto a chatice e a burrice se disseminam pelas ondas da televisão, alguma resistência sempre surge, e nem sempre de emissoras educativas e culturais, como na grande maioria das vezes. Estou falando do texto diferente e inteligente da novela Tempos modernos, que o dramaturgo Bosco Brasil assina (em sua estreia como titular no horário das 19h da Globo).

Tendo como tema principal o Centro de São Paulo, com seus ícones culturais e personagens que parecem ter saído dos quadrinhos, a novela de Bosco Brasil se vale de grandes atores (liderados por Antônio Fagundes, foto) e interpretações divertidas para arejar um gênero tão sem novidade.


Alvíssaras!

Clara Arreguy, quarta-feira, janeiro 27, 2010. 0 comentário(s).

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Músculos em lugar de cérebro


Foto: Divulgação


Não achei Sherlock Holmes ruim, apenas não condiz com a tradição de inteligência no lugar de força bruta atribuída ao personagem criado por Conan Doyle. Está certo que, no filme de Guy Ritchie, o detetive particular não abdica de sua inata capacidade de observação e dedução, só que ele usa isso até pra distribuir porrada. E o Dr. Watson, figura que nos acostumanos a pensar como bonachão, quem diria, lutando e distribuindo tiros como um coadjuvante de filme de ação qualquer?

Se Robert Downey Jr. não desaponta, como muitos críticos apontaram, alegando escalação errônea - prova de seus méritos está no Globo de Ouro que ganhou ontem à noite pelo papel -, Jude Law (à esquerda na foto) associa ao de Downey (D) seu carisma habitual, numa dobradinha com um quê de Butch Cassidy e Sundance Kid (claro, a léguas de Newman e Redford).

O filme tem seus atrativos, como o charme dos protagonistas, embora a obviedade da trama dispense o possível suspense. Mas divertido nessas férias de verão, sem dúvida.
Beijocas!

Clara Arreguy, segunda-feira, janeiro 18, 2010. 0 comentário(s).

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Herzog genial

Foto: Divulgação/Sulekha Movies

Tinha razão - como sempre - o Tiago Faria nos elogios ao novo filme de Werner Herzog, traduzido no Brasil como Vício frenético. Com um desempenho magnífico de Nicolas Cage à frente do elenco (na foto, com a lindíssima Eva Mendes), a obra narra a história de um policial que, ao cometer uma boa ação (salvar um preso durante o furacão que arrasou Nova Orleans), fica com um problema físico que o leva a se viciar em todo tipo de droga e a corromper seus atos em nome do vício.

Num cenário devastado tanto do ponto de vista da natureza quanto no aspecto humano, o personagem central conduz a linha narrativa entre a degradação e alguma perspectiva de redenção, já que seu próprio pai, alcoólatra, está em reabilitação e esse parece ser um caminho possível para ele, a madrasta, também alcoólatra, e a namorada, prostituta e viciada como ele.

O enredo gira em torno de um assassinato quíntuplo de uma família de imigrantes africanos ilegais que interferiu nos negócios de um grande traficante de heroína. Com traficantes, mafiosos, bookmakers, policiais bons e maus em confronto sem heróis nem bandidos claramente definidos, Herzog compõe uma história ácida com pontadas de esperança, um belo filme com uma interpretação antológica de Cage, certamente candidata a prêmios.


Beijos!

Clara Arreguy, sábado, janeiro 16, 2010. 0 comentário(s).

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Sem palavras

Não é força de expressão quando a gente diz: estou sem palavras. Não há palavra possível diante de certas situações. As tragédias, as perdas irreparáveis, as catástrofes em larga escala, tudo isso deixa a gente simplesmente sem o que dizer.
Não há palavra sábia o suficiente porque não há sabedoria para isso. Não há discurso porque não há explicação nem justificativa. Então, o que fazer? Presença, segurança do amor, certeza de que, por mais que nasçamos e morramos sozinhos, há alguém por perto que deseja nos amar.
Como disse um senhor de 91 anos que conheci hoje, a gente nasce é pra morrer, não pra viver.

Beijos!

Clara Arreguy, sexta-feira, janeiro 15, 2010. 0 comentário(s).

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Viagem ao Brasil pela música

Foto: Divulgação/TV Globo

Interessante a minissérie Dalva e Herivelto - Uma canção de amor, talvez mais até pela música do que pela história de amor e ódio entre dois grandes nomes da música popular brasileira. Se o lado do romance e do drama tem seus pontos altos na história escrita por Maria Adelaide Amaral e dirigida por Dennis Carvalho para a Globo, a parte musical é ainda mais rica. Se Adriana Esteves e Fábio Assunção (foto) defendem com competência seus personagens, é no fio condutor da trama - os artistas e as canções do rádio brasileiro nos anos 40 e 50 - o verdadeiro retrato do Brasil na época e das raízes do que somos hoje em matéria de samba e MPB.

Dalva de Oliveira foi uma das rainhas entre as cantoras brasileiras, e Herivelto Martins um grande compositor. Personagens como os dois, mais Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Emilinha Borba, Francisco Alves e outros são tão importantes para a história do país quanto os políticos da época, ou mais. Eles são eternos, e a iniciativa de contar sua história pessoal e artística se iguala a trabalhos anteriores, como Maysa, que tiveram méritos semelhantes.


Beijos!

Clara Arreguy, quarta-feira, janeiro 06, 2010. 0 comentário(s).

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A mulher na psicanálise

Ausente durante alguns dias para merecido descanso de fim de ano (na verdade, uma puxada pedalada de Joinville a Florianópolis, confira no blog do www.dapedal.org), registro aqui a leitura de um livro interessante, difícil, mas enriquecedor. Trata-se de Patu, a mulher abismada, de Ana Lucia Lutterbach Holck, editado pela Subversos. O livro reúne textos da psicanalista sobre diversas questões que têm a mulher em seu centro. A mulher que, conforme definição lacaniana, "não existe", ou se conforma como "nãotoda".
Nos textos, alguns mais técnicos e de leitura mais difícil, por tratarem de conceitos de Freud e Lacan nem sempre apreensíveis por quem não tenha conhecimentos mais específicos, a autora analisa a presença desses conceitos em obras literárias (Marguerite Duras, Tolstoi) e cinematográficas (Almodóvar, Dalry). Não se trata de "pôr no divã" as obras, mas de buscar a interface entre as leituras teóricas e o processamento e a criação artística.
Ana Lucia faz ainda o relato de seu "passe", processo que nas instituições lacanianas corresponde a uma formação profissional para aquele que encerra a própria análise e se assume como analista. Um relato que poderia ser frio e técnico, mas que se constitui como texto capaz de falar à emoção do leitor.
E, ao final, relata, também sob aspectos teóricos e práticos, o trabalho desenvolvido pelo projeto Digaí-Maré na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, uma intervenção da psicanálise num cenário de violência urbana.

Beijos e feliz 2010!

Clara Arreguy, quarta-feira, janeiro 06, 2010. 0 comentário(s).

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