Poder e valores nas redes sociais

Divulgação

Que ótimo filme A rede social, com a história do criador do Facebook, Mark Zuckerberg, vivido (e bem) por Jesse Eisenberg (o terceiro da E pra D na foto), dirigido por David Fincher, de quem eu já havia gostado em Zodíaco e O curioso caso de Benjamin Button, entre outros. O filme se centra mais na disputa judicial em torno dos direitos reivindicados por pessoas que participaram mais ou menos do início de tudo, mas serve para mostrar o personagem, a tecnologia, as ambições humanas (atemporais) e os conflitos por poder, dinheiro, sucesso.

Mudam as ferramentas, mas nada muda na essência. Elite, comunicação, valores, está tudo ali, em meio à tão contemporânea questão das redes sociais.

Sou adepta do Facebook desde que saí de um jornal, onde tinha certa visibilidade, e precisei cultivar outras formas de relações sociais. Nada, nem o Twitter, me deu o tipo de contato de que eu precisava, como fez o Facebook.

Vida longa a ele, a Mark Zuckerberg e a outros "gênios" que reinventam todo dia as maneiras como nos relacionamos e comunicamos com o mundo estreito e ligeiro de nossos dias.


Beijus!

Clara Arreguy, segunda-feira, dezembro 20, 2010. 0 comentário(s).

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Uma história de amor

Divulgação

Quanta delicadeza no documentário José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes! O mais premiado escritor da língua portuguesa, Nobel de literatura, estrela da palavra e da defesa dos ideais mais libertários, aparece aqui mais como homem frágil e apaixonado do que como o gigante em que se tornou nos últimos 20 anos de vida.

Saramago está com 83 anos quando a câmera do cineasta começa a acompanhá-lo. Nesse meio tempo, ele recebe mais algumas dezenas de homenagens, visita a cidade natal, a pequena Azinhaga, no "Portugal profundo", trabalha, trabalha, trabalha, viaja, viaja, viaja, até cair doente e quase morrer.

A presença forte da mulher, da amada Pilar del Rio, pontua e referencia a luta pela recuperação e a volta por cima do escritor, que ainda termina de escrever e lança A viagem do elefante e tem a ideia para aquele que seria seu último romance, Caim.

Ao longo do documentário, podemos ver de perto a intimidade do casal apaixonado, brilhante em suas posições sempre a favor do justo e do certo - Pilar, inclusive, que normalmente se coloca mais discreta e menos abertamente, aparece em discursos pró-bascos, pró-homossexuais etc.

Saramago mostra toda sua grandeza e simplicidade, como quando joga paciência no computador, num momento em que a câmera o flagra e nos insinua que ali estaria sendo gestada mais alguma obra-prima da literatura.

Uma beleza, o filme. Uma emoção.


Beijus!

Clara Arreguy, terça-feira, dezembro 14, 2010. 0 comentário(s).

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No Caminho de Santiago

Depois que cheguei ao Brasil vindo do Caminho de Santiago, onde pedalei em agosto, aprofundei algumas pesquisas para talvez escrever algo sobre o assunto. Isso me obrigou a ler dois livros: O enigma de Compostela, de A. J. Barros (Geração Editorial) e O diário de um mago, de Paulo Coelho.
O primeiro é um policial com trama intrincada, cheia de complôs e seitas secretas, com crimes a cada passo da rota de peregrinação que sai da França e atravessa o norte da Espanha. Com referências históricas e místicas, o autor costura bem mitos e realidades ligadas à questão, de modo a prender o leitor ao longo de uma alentada composição - quase 500 páginas.
O diário de um mago, um dos romances mais famosos do escritor que mais vende livros no mundo, atém-se ao aspecto místico, também referenciando-se a seitas e invocações mágicas. Irregular em narrativa e fraco em acabamento, o livro passa de leve sobre o caminho propriamente, sem aquele tipo de informação que quem conhece reconhece. Na verdade, é chato. Deixa a desejar no que se refere ao Caminho.

Sigo atrás de coisas melhores.

Beijos!

Clara Arreguy, quinta-feira, dezembro 09, 2010. 0 comentário(s).

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John mais vivo ainda

Foto: Divulgação
John Lennon revive todo dia, sempre que ouvimos sua música maravilhosa. Mas um filme se incumbiu de jogar luz sobre um momento especial de sua vida, o final da adolescência, quando ele sofreu perdas dolorosas e experimentou as primeiras delícias da arte.

O filme O garoto de Liverpool, em cartaz no cinema, trata com fidelidade e delicadeza aquele período. John, criado pela tia Mimi, perde o tio George, marido dela, fica conhecendo e começa a conviver com a mãe biológica, Julia, que lhe apresenta a música. Na sequência, aprende a tocar violão, se apaixona pelo rock and roll, monta uma banda e fica conhecendo Paul McCartney e George Harrison.

Sem recorrer a canções dos Beatles, ficando ali naqueles primórdios do rockabilly, o jovem John tem ótima interpretação de Aaron Johnson. Kristin Scott Thomas (com Johnson na foto) brilha como a tia Mimi. Anne-Marie Duff faz a mãe de Lennon. E o garotinho Thomas Brodie-Sangster, astro de tantas produções para TV e cinema, como Simplesmente amor, dá novo show, agora como Paul aos 15 anos.

O filme tem hora que resvala para o dramalhão, algo quase inevitável, já que a vida de John, naquele momento, tem tudo para fazer chorar... Para beatlemaníacos, como eu, é pura emoção.


Beijocas!


Clara Arreguy, terça-feira, dezembro 07, 2010. 3 comentário(s).

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Milton renovado

A outra aquisição musical que fiz foi do novo CD do Milton Nascimento, E a gente sonhando. Tinha lido a ótima matéria da Teresa Albuquerque com Bituca no Correio Braziliense e não resisti a conferir o novo trabalho.
Novo mesmo. Milton se cercou de jovens talentos de sua Três Pontas e compôs um disco cheio de novidades, com parceiros, canções inéditas e lindas releituras de obras como Estrela, estrela, de Vitor Ramil, e O sol, de Antônio Júlio Nastácia, e Resposta ao tempo, de Aldir Blanc e Cristóvão Bastos - entre outras belezuras.
Há mais de 40 anos a voz de Milton Nascimento pontifica como uma das mais sublimes do Brasil - ah, do mundo, né? Outra qualidade da qual esse mineiro de coração não abre mão é o gosto por inovar, abrir as portas e o peito para os jovens, sem preconceitos. E a gente sonhando traz tudo isso e os belos arranjos que caracterizam sempre seu trabalho. Isso é Milton Nascimento.

Beijos!

Clara Arreguy, terça-feira, dezembro 07, 2010. 0 comentário(s).

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O melhor do pop rock

Por causa do Festival de Cinema de Brasília, não comentei ainda minhas novas aquisições musicais. A primeira delas, o CD duplo do Skank, gravado ao vivo num Mineirão lotado de fãs entusiasmados.
Como se diz na minha terra, trem bão é coisa boa! São 31 músicas, entre sucessos de todas as fases da banda mineira, mais novidades e a participação especial de Negra Li. É dançante, pop, rock, mas tem momentos sentimentais, de baladas que mexem com o coraçãozinho romântico da gente.
Ah, detalhe não menos importante: que bela capa a do CD, com uma foto histórica do estacionamento do Mineirão no tempo em que comecei a frequentá-lo com meu pai... Retrô, nostálgico, lindo.

Bjs!

Clara Arreguy, quinta-feira, dezembro 02, 2010. 0 comentário(s).

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Rescaldo do Festival

Não sei por que não me espanta o fato de a Folha de S. Paulo ter furado todo mundo e divulgado o resultado do Festival de Cinema antes do combinado. Funciona assim: todo ano, o resultado sai muito tarde. Os jornais ficam com as edições abertas, fecham com atraso, para dar a notícia. Então a assessoria do festival libera o resultado um pouco antes para os repórteres mandarem para as redações, com o compromisso de não divulgarem antes do anúncio oficial.
Funcionava. Ontem à noite, o pessoal da Folha descumpriu o combinado e pôs no ar, pelo Uol, os vencedores. Lembram da "lei de Gerson" (gosto de levar vantagem em tudo, certo?). Durante muito tempo os brasileiros foram estigmatizados pela tal lei. Mas, como em tudo há movimentos em favor da ruindade e movimentos pelo crescimento do ser humano, acredito que andamos pra frente e que vamos aprendendo, cada vez mais, as leis da solidariedade, do compromisso, do aperfeiçoamento humano...
Alguns lutam por isso, outros querem mais que "os bobos paguem por sua bobiça", como dizia meu pai.
Da minha parte, prefiro morrer boba.

Ah, por falar em cinema, não comentei a vitória do curta pernambucano Acercadacana, sobre a luta de uma posseira contra uma poderosa usina, que tenta a todo custo expulsá-la da terra onde vive há mais de 40 anos. Não é um filme extraordinário, mas o júri, pelo jeito, optou pela premiação política, pela denúncia, por tomar posição num conflito em que vidas estão literalmente em jogo. Tomou partido, o que não é ruim.

Beijins!

Clara Arreguy, quarta-feira, dezembro 01, 2010. 0 comentário(s).

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