2018: jan . fev . abr . mai

2017: jan . mar . abr . jun . ago . set . nov . dez

2016: jan . fev . mar . abr . jun . jul . out . nov . dez

2015: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2014: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . dez

2013: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2012: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2011: jan . fev . mar . abr . mai . ago . set . out . nov . dez

2010: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2009: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2008: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2007: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2006: fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez






Luto pela imprensa e pela Justiça

Resultado de imagem para the post

Amigos, jornalistas como Cláudio Arreguy ou de outras profissões, já haviam comentado aqui como é bom o filme "The Post". Trata de um momento crucial para a liberdade de imprensa nos Estados Unidos, quando o Washington Post desafiou o presidente Nixon e um juiz local e publicou matéria denunciando o governo norte-americano, que sabia há décadas da impossibilidade de ganhar a guerra no Vietnã e mesmo assim mandava milhares de jovens para morrer do outro lado do mundo.

A questão vai para a Suprema Corte, que se baseia na Primeira Emenda para permitir a publicação do caso. A conclusão: a imprensa deve estar a serviço dos governados, não dos governantes.

A gente que militou a vida toda na imprensa e vê hoje o ocaso da profissão, dos veículos, do senso ético e moral, do profissionalismo que tanto cultuamos, se emociona e chora durante o filme de Steven Spielberg. Tom Hanks e Merryl Streep (foto) dão vida, respectivamente, ao editor geral e à dona do jornal que tomam a decisão de confrontar os poderosos para servir à notícia e ao público. Pode alguma coisa com esses dois ser ruim? Dificilmente.

Chorei pelas emoções do excelente thriller, mas sobretudo pela tristeza de ver o que fizeram do jornalismo (e da Justiça) no Brasil de hoje. Será que ainda há esperança? Só mesmo com muita luta.


Clara Arreguy, segunda-feira, fevereiro 26, 2018. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Matéria-prima: esperança


Num dos grupos de discussão dos quais participo, o Chá de Livros, a polêmica sempre rola solta - e em alto nível. Semana passada tive que furar a fila das minhas leituras com um romance de Valter Hugo Mãe para dar meu pitaco no debate. E foi o melhor que eu fiz, porque adorei "O filho de mil homens" (CosacNaify), um romance multifacetado que encheu meu coração de alegria.

Esperança, essa comodity rara e cara, é sua matéria-prima. Seu estilo narrativo me lembrou Saramago - será apenas o sotaque lusitano ou tem mais? Acho que o parentesco vai além. Vem do universo de personagens e sentimentos. A história, as histórias do romance de Mãe, falam de família. Da nova família. São pais sem filhos, filhos sem pai, adoções feitas pelo coração, na intenção de liberar a felicidade, de reinventar a família.

Crisóstomo tem 40 anos e se sente incompleto. Adota um filho que nunca teve pais e que perdeu o avô adotivo. Isaura, uma mulher seca e feia, pode encontrar afinal a beleza e a paz até em seu "casamento" com Antonino, o homossexual, ou "maricas" no português de Portugal. Camilo aprende, Matilde aprende, Mininha aprende. Os solitários descobrem que podem construir outras formas de viver e de espalhar esperança. Tudo sem sentimentalismo, sem pieguice.

Um trecho só pra ilustrar:

"Deve nutrir-se carinho por um sofrimento sobre o qual se soube construir a felicidade, repetiu muito seguro. Apenas isso. Nunca cultivar a dor, mas lembrá-la com respeito, por ter sido indutora de uma melhoria, por melhorar quem se é. Se assim for, não é necessário voltar atrás. A aprendizagem estará feita e o caminho livre para que a dor não se repita."

"O filho de mil homens" é o quarto livro de Valter Hugo Mãe, português nascido em Angola em 1971. O escritor já recebeu prêmios como o José Saramago e o Portugal Telecom e vem sendo aplaudido como uma das vozes mais expressivas da literatura em língua portuguesa.

Beijos, bom final de carnaval!

Clara Arreguy, terça-feira, fevereiro 13, 2018. 1 comentário(s).

______________________________________________________

O incrível feto narrador


Imagine um narrador que é um feto dentro do útero materno, de onde ouve conversas e rádio, se informa e acompanha a vida da mãe com seu amante e cunhado, com quem trama a morte do pai do narrador. Reconhece os personagens? Isso, Hamlet, de dentro da barriga da mãe, testemunha a conspiração assassina dela com o tio do menino. Dali de onde se espreguiça à espera de seu tempo, ele nada pode fazer, senão torcer, refletir, elucubrar.

Essa narrativa inusitada foi criada pelo britânico Ian McEwan no romance "Enclausurado" (Companhia das Letras), e de maneira magistral. Não só pelo curioso ponto de vista do narrador, mas também pela trama vertiginosa que ele desenvolve. Há ação, emoção, sexo, vingança, e uma acurada análise do mundo atual, de problemas contemporâneos como a vocação e o destino da Europa com a crise dos imigrantes, os desafios de quem pensa o país e o mundo com profundidade e humor.

Humor é o que não falta ao pequeno narrador, já crítico, irônico, alcoólatra, neurótico, um candidato perfeito a esse novo mundo que o espera lá fora. Onde uma mulher troca seu marido poeta por um amante idiota, onde um filho acidental nada mais representa que barganha, onde o desleixo com a casa e o próprio corpo reflete toda a crise moral que não escolhe protagonista.

Um romance completo! Um livro genial, que não se consegue parar de ler. Ah, detalhe significativo: a tradução de Jorio Dauster, perfeita!

bjs!

Clara Arreguy, quinta-feira, fevereiro 08, 2018. 1 comentário(s).

______________________________________________________