Poesia dos nomes

Uma confusão internética me fez crer que a escritora mineira Maria Esther Maciel fosse lançar agora, em Brasília, seu novo romance, O livro dos nomes, o que me levou a lê-lo depressa para fazer matéria a respeito. O lançamento, na verdade, havia sido em abril! De qualquer maneira, foi bom o mal-entendido, porque assim tive o prazer de reencontrar a escrita da mãe de O livro de Zenóbia, que também era pura poesia em prosa. No Livro dos nomes, em forma de abecedário, Esther conta histórias de personagens com cada letra do alfabeto, todas na mesma estrutura - quatro capítulos curtos para cada um -, mas as partes do mosaico construído constituem um único universo familiar e social. A ambientação evoca os interiores de Minas - tanto no sentido geográfico quanto no psicológico. A narrativa direta não esconde o trabalho rigoroso com a palavra e o acabamento primoroso do texto. Literatura de sustança, como Esther já havia demonstrado nas investidas anteriores.

Beijins!

Clara Arreguy, sábado, agosto 30, 2008. 0 comentário(s).

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Oriente Médio cômico

Pode parecer um contra-senso, mas a comédia Zohan - Um agente bom de corte mexe com os conflitos no Oriente Médio de maneira engraçada e inteligente, ainda que peque, como apontou Tiago Faria, pelo politicamente correto. De qualquer maneira, é divertido . O tal agente é Adam Sandler, convertido num Rambo com quase superpoderes, um soldado israelense especialista em capturar e matar terroristas, que sonha mudar de vida e se tornar cabeleireiro em Nova York. Seu principal oponente é o palestino Fantasma (John Turturro, também ótimo), de características semelhantes às dele. Após simular a própria morte, Zohan vai parar no salão de uma palestina nos EUA e mostrará outra peculiaridade: a de garanhão sem preconceitos, craque em elevar a auto-estima de senhoras de idade. Brincando com preconceitos e estigmas das diferentes culturas, o filme tem gags visuais e de texto demolidoras. Claro, para quem não tem preconceitos.

Beijocas!

Clara Arreguy, sexta-feira, agosto 29, 2008. 0 comentário(s).

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Século XIX

Interessante o filme francês A última amante, com o desempenho notável de Asia Argento. Nos anos 30 do século XIX, um aristocrata solteiro e uma espanhola separada do marido mantêm um caso durante 10 anos, entre percalços, idas e vindas. Quando ele se apaixona por uma jovem e consegue ser aceito pela avó dela para se casar, a história desperta ciúmes e intrigas na sociedade hipócrita. Belo retrato de época, com toques de Chordelos de Laclos e congêneres, além de belíssimos direção de arte e trabalhos de atores.

Beijuss!

Clara Arreguy, sábado, agosto 23, 2008. 0 comentário(s).

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Onde tudo começou

Chega ao Brasil a primeira a aventura da detetive Cordelia Gray, uma das personagens criadas por P.D. James, outra grande dama do romance policial britânico (além de Agatha Christie, a maior delas). Escrito em 1972, Trabalho impróprio para uma mulher mostra a chegada de Cordelia ao mundo da investigação particular, depois que seu sócio e mentor se suicida no escritório da firma em que acabara de dar sociedade a ela. O primeiro caso de Cordelia diz respeito a suicídio e envolve outro suposto suicídio, o que requer da jovem de 22 anos inteligência, sensibilidade e coragem para duvidar e correr riscos em busca da verdade. Com toques de composição psicológica, personagens cuidadosamente desenhados e diálogos precisos, Trabalho impróprio mostra ainda como o preconceito de gênero e a pouca idade não impediram Cordelia de se tornar uma das grandes personagens do romance policial.

Beijocas!

Clara Arreguy, sexta-feira, agosto 22, 2008. 0 comentário(s).

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Pobre Sarajevo

Depois do livro de Scott Simon, assisto ao filme A caçada, com Richard Gere e Terrence Howard, que também trata do conflito entre sérvios e bósnios entre 1992 e 1995. No filme, os dois são repórter e cinegrafista que voltam à Bósnia-Herzegovina em 2000 para tentar capturar o criminoso de guerra mais procurado, personagem inspirado no carrasco Karadzic, recentemente preso e entregue ao Tribunal de Haia. Embora tenha estrutura de filme de ação, a fita coloca importantes questões políticas, ao fazer a crítica à omissão da ONU, da Otan e de outros organismos internacionais no que toca à Guerra dos Bálcãs e ao mostrar feridas abertas na pobre cidade de Sarajevo e no país.

Beijocas.

Clara Arreguy, sexta-feira, agosto 15, 2008. 0 comentário(s).

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Vampiro ataca novamente

Saiu o novo volume de contos de Dalton Trevisan, o Vampiro de Curitiba, O maníaco de olho verde novamente um ataque de palavras como só ele é capaz. Sempre em contos curtos e incisivos, o escritor paranaense defende um universo de personagens do submundo, bandidinhos ou bandidões, prostitutas, pequenos contraventores de vida pequena, miserável. Com a escrita mais bruta, seca e enxuta que pode, Trevisan às vezes não precisa mais que poucas palavras em forma de poema, sem pontuação, para traçar perfis de personagens de quem ninguém quer saber, por quem ninguém se importa. Uma literatura de estilo, sempre forte e sempre necessária.

Beijus!

Clara Arreguy, domingo, agosto 10, 2008. 1 comentário(s).

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Polícia do bem

O relato autobiográfico da deputada e ex-policial Marina Maggessi sobre sua sofrida trajetória faz de Dura na queda um livro interessante do início ao fim. Mas o que faz do livro uma leitura arrebatadora é a escrita de Ana Maria Bahiana, cujos créditos só aparecem na ficha técnica, na última página. Quem folheia o volume percebe que se trata de texto ágil, seco, profissional, não de incursão de novato. Daí que a história ganha ritmo impressionante, da infância pobre da menina no bairro Alto da Boa Vista, no Rio, ao comando de operações em favelas cariocas, onde tiros e bandidos são tão perigosos quanto setores desonestos da polícia. Ao fazer declaração de princípios explícita contra a pena de morte e a violência policial, ela se coloca como influente voz na defesa dos direitos humanos. E uma grande mulher.

Clara Arreguy, quarta-feira, agosto 06, 2008. 0 comentário(s).

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Sob o cerco de Sarajevo

Terminei a leitura de A inocência dos pássaros, de Scott Simon, sobre o cerco a Sarajevo. O conflito conhecido como Guerra dos Bálcãs durou de 1992 a 1995 e sucedeu o desmembramento das repúblicas que compunham a Iugoslávia socialista. Opôs, de um lado, os sérvios, e de outro, os bósnios, de maioria muçulmana, expulsos de suas casas e mantidos confinados em Sarajevo, sob a mira de franco-atiradores. Trata-se de um livro de ficção, escrito por um jornalista norte-americano que cobriu os acontecimentos e conheceu figuras que inspiraram suas personagens. As duas principais são amigas, meninas de 17 anos, que se encontram em campos opostos, Irena e Amela. Irena e seus pais vivem confinados no apartamento da avó, morta no primeiro dia do conflito. A moça (como toda a sociedade do país) passa a conviver com um mundo de violência até se tornar guerrilheira bósnia. Interessante a narrativa que comenta os fatos históricos e, em que pese certo maniqueísmo, constrói momentos poéticos, como no que se refere ao papagaio Senhor Pássaro, ave brasileira que acompanha a família.

Beijocas!

Clara Arreguy, sábado, agosto 02, 2008. 0 comentário(s).

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Rei alegrinho

Fui ontem à noite ver o show do Roberto Carlos e fiquei feliz de vê-lo novamente sorrir - ou melhor, gargalhar - como antigamente. Como ele disse a certa altura, ele está melhorando - do TOC, ressalvou. Tanto que cantou, de "novidade", um set inteiro dedicado a música sobre carros e velocidade, paixões que admite ter - "adoro máquinas quentes, em todos os sentidos", garantiu o Rei. Grande artista, grande cantor, Roberto faz shows altamente profissionais, respeitosos para com o público e carinhosos com as fãs. Passou 10 minutos beijando e jogando flores de mão em mão, num ritual que virou marca registrada sua. E cantou aqueles sucessos que ainda hoje embalam corações apaixonados e saudosistas - como eu.

Beijos!

Clara Arreguy, sábado, agosto 02, 2008. 0 comentário(s).

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