Ainda os policiais

Este, de Dennis Lehane (autor de Sobre meninos e lobos), é Dança da chuva. Nova aventura do detetive particular Patrick Kenzie e seus amigos, Bubba e Angie, investiga a mente perversa de um bandido muito, muito mal, que induz seus desafetos a não querer mais viver - a pobre patricinha Karen Nichols se mata depois de ver seu mundo cair, mergulhar nas drogas e perder a razão de viver. Patrick, Angie e Bubba enfrentam inimigos graduados, inclusive na máfia italiana, para descobrir quem é o agente de tanta maldade e virar o jogo. Narrativa de primeira, reviravoltas, personagens inteligentes e cheios de espírito.

Beijocas!

Clara Arreguy, terça-feira, junho 26, 2007. 0 comentário(s).

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Efeitos legais

Também é pura diversão - mas estou de férias, então, não estraçaia não! - o novo episódio do Quarteto Fantástico, tendo como antagonista o Surfista Prateado. O ritmo e os efeitos valem para quem não se importa com uma aventura juvenil de ídolos dos quadrinhos. Ok, as questões colocadas chegam a ser pueris, mas quando se tem um bom programador de computador e uma montagem profi, quem se importa? E férias são férias, divirta-se!

Beijinhos!

Clara Arreguy, sábado, junho 23, 2007. 0 comentário(s).

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Tempos sombrios

Só agora, no meu quarto dia em João Pessoa, foi chover de verdade, o que me impossibilitou de passear e me permitiu terminar a leitura de Satã em Gorai, de Isaac Bashevis Singer, aquele escritor premiado com o Nobel e que escreve - maravilhosamente bem - sobre questões judaicas. Este terrível romance se passa numa pequena comunidade na Polônia, no século 17. Alguns anos após um massacre promovido por cossacos, quando quase todas as famílias judias da região foram dizimadas, o povo retoma a rotina mas, inspirados por líderes messiânicos, os seguidores de uma seita que aguarda o reino do Messias espalham confusão. Satã (ou suas manifestações humanas), que em 1648 atacou na forma de um terrível carniceiro ucraniano, agora se infiltra entre os próprios judeus, dividindo-os e levando-os a cometer atrocidades entre si, a cegar diante das noções de pecado e virtude, bem e mal. Uma história terrível, passada em momento dramático da vida de um povo - ao qual não faltam acontecimentos trágicos em sua trajetória.

Beijos!

Clara Arreguy, sexta-feira, junho 22, 2007. 0 comentário(s).

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Pura diversão

Embora a crítica especializada tenha metido o pau, achei divertido o Shrek Terceiro, com a mesma linha de humor que escracha as próprias invenções de Hollywood, na forma de filmes, personagens, gêneros, truques e estruturas tão usuais. Não, não é hilário nem apresenta grandes novidades. Mas os personagens seguem carismáticos, cheios de graça, e, na versão legendada, é sempre bom curtir as vozes de Eddie Murphy, Cameron Diaz, Rupert Everett, entre outros. Não vi a cópia dublada, mas acho que a voz de Bussunda fará falta à personalidade do doce ogro.

Estou na Paraíba, então, beijocas juninas e são-joaninas!

Clara Arreguy, quinta-feira, junho 21, 2007. 0 comentário(s).

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Aventuras medievais

Limpeza de sangue, segundo livro com as aventuras do herói Capitão Diego Alatriste, do Arturo Pérez-Reverte, é tão delicioso quanto o primeiro (e podemos nos preparar porque a Companhia das Letras anuncia várias próximas edições com as seqüências). Desta vez, o narrador, o pequeno Íñigo, fiel escudeiro do Capitão Alatriste, acaba preso pela Inquisição e, condenado por "práticas judaizantes", só não vai parar na fogueira porque tem apenas 13 anos e graças às intervenções do nosso herói e de seus amigos, que precisam deter a armação. Costumes medievais, capa e espada, intolerância irracional, tramas políticas e uma linguagem popular e de humor refinado fazem da literatura histórica e de aventuras do escritor espanhol uma delícia a ser lida tanto na seqüência do primeiro romance como em separado - lê-lo antes não compromete a compreensão.

E muitos beijos!

Clara Arreguy, segunda-feira, junho 18, 2007. 0 comentário(s).

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Surpreendente atualidade

O nome do diretor credencia Invasão de privacidade: Anthony Minghella, o mesmo de O paciente inglês, Cold mountain e O talentoso Ripley. Mais do que isso eu não sabia ao sair de casa para ver seu novo filme. Que ótima surpresa. Profundamente atual, antenado na globalização - no sentido de tratar problemas que se originam e geram conseqüências em esfera global -, conta as histórias cruzadas de duas famílias na iminência da dissolução. Will e Liv vêm aprofundar sua crise matrimonial à medida em que se agrava o distúrbio da filha, certo tipo de autismo. O escritório dele é invadido e roubado seguidas vezes por uma gangue da qual faz parte o menino Miro, filho de Amira. Mãe e filho são bósnios muçulmanos que fugiram dos massacres em Sarajevo. Enquanto investiga o roubo, Will acaba se envolvendo com Amira, misturando sentimentos como procura por amor e compaixão. No trabalho, paralelamente, o arquiteto Will atua na recuperação de áreas urbanas degradadas, como o epicentro de uma região violenta da Londres dos sem oportunidade, da violência e da falta de perspectiva.
O surpreendente é como Minghella, além de diretor, também roteirista , conduz a solução dos conflitos. Um grande filme, imperdível.

Beijos!

PS - Não poderia deixar de citar duas outras questões: a opção ética do personagem principal, que nos permite sair da sala de cinema acreditando que nem tudo está perdido, e o elenco excelente, encabeçado por Jude Law e Juliette Binoche.

Clara Arreguy, terça-feira, junho 12, 2007. 0 comentário(s).

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Sobre solidão

O filme Não por acaso, de Philippe Barcinsky, correspondeu à expectativa criada em torno de sua estréia. Uma bela história sobre solidão, encontros e desencontros, na trajetória de dois homens que, tal como as pistas de uma avenida, seguem juntos mas não se trombam. Leonardo Medeiros (um dos nomes mais fortes do cinema brasileiro contemporâneo) é Ênio e Rodrigo Santoro, Pedro. Ambos têm desempenhos sublimes. O primeiro, solitário convicto, tem que aprender o afeto na relação com uma filha de 16 anos que acaba de conhecer. O segundo perde a namorada numa circunstância trágica e igualmente precisa reaprender o encontro com uma situação amorosa. Entre silêncios e música, as histórias questionam o tempo e o vazio. No final, uma cena antológica, significativamente de parar o trânsito.

Beijocas!

Clara Arreguy, quinta-feira, junho 07, 2007. 0 comentário(s).

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A travessia de um homem

Escrito em 1966, lançado em 1967, reeditado em 1997, saiu agora em edição primorosa, pelo selo Alfaguara, da Objetiva, o romance referência de Carlos Heitor Cony, Pessach - A travessia. Forte, emblemático, narra a mudança na vida de um escritor cético e cínico, a partir do convite (inicialmente absurdo) para integrar a luta armada. A época sinaliza o quão incipiente ainda era a questão no Brasil, apenas dois anos após o golpe. Mas os questionamentos levantados pelo autor não perderam a atualidade. O personagem central, Paulo Simões, renega a origem judaica da família, mas se vê perseguido pelos significantes do nome original (Simon) e por ameaças ancestrais. Recria, a seu modo, a passagem bíblica em que Moisés conduz o povo hebreu da escravidão para a liberdade, no trajeto de comprometimento do protagonista com uma causa, cujo pano de fundo é social e político mas com determinantes individuais, em que pesam amor e ódio, sentido para a vida. Uma obra de peso, bem escrita e com personagens marcantes.

Beijos!

Clara Arreguy, terça-feira, junho 05, 2007. 0 comentário(s).

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Dois policiais

Nesses dias, de férias, tenho podido ir mais ao cinema - dá pra perceber, né? Ontem e hoje vi dois policiais de características bem diferentes, ambos muito bons. No primeiro, Um crime de mestre, sabemos desde sempre quem é o bandido, mas tanto os espectadores quanto os investigadores da história enfrentam um homem de inteligência brilhante (Anthony Hopkins em mais uma excelente atuação), que arma bem armado para se safar do crime. Prevalece o suspense do início ao fim. No outro, Zodíaco, dá-se o contrário. Passamos quase três horas (e os investigadores, mais de 20 anos) para identificar o serial killer que agiu na Califórnia entre o final dos anos 60 e o início dos 70. A trama é complexa, os dados em jogo, múltiplos. E as interpretações, novamente, soberbas (leia-se Jake Gyllenhaal, Robert Downey Jr. e Mark Ruffalo, num elenco todo de alto nível).

Boa diversão pra todos!

Clara Arreguy, domingo, junho 03, 2007. 0 comentário(s).

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Forçou a mão

O filme Inesquecível, de Paulo Sérgio Almeida, força um pouco a mão no drama de um triângulo amoroso protagonizado por Murilo Benício (Diego), Caco Ciocler (Guilherme) e Guilhermina Guinle (Laura). Os dois rapazes, amigos de infância, têm pacto de nunca se envolver um com a mulher do outro. Não é o que ocorre (recorrentemente na vida deles, por sinal). Até que Diego se casa com Laura, que vem a ser a paixão de Guilherme, e os conflitos afloram, com suspense e tristes coincidências. Como Diego é roteirista, produtor e ator de sucesso, o caso dos três vai parar no novo filme dele, momento em que a tentativa de metalinguagem descamba com a seriedade do drama como vinha sendo conduzido. Lastimável. O suspense se torna patético e o final, um anticlímax.
Salvam-se o charme do trio e a bela música de David Tygel.

Beijocas.

Clara Arreguy, sexta-feira, junho 01, 2007. 0 comentário(s).

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