Sensação da fotografia

O livro de Marcelo Prates Pássaros da Liberdade reúne os 10 anos de pesquisa do fotógrafo sobre passarinhos e aves no espaço urbano de Belo Horizonte. É maravilhoso. Tudo começou com a descoberta de um casalzinho de canários que estava fazendo ninho na Praça da Liberdade e se expandiu para tudo quanto é pássaro que habita ou passeia pelas ruas, praças, lagoas etc. da cidade.
São imagens impressionantes de quem teve não apenas técnica, como sensibilidade e paciência para registrar beleza, denúncia, natureza, arquitetura, em quadros incríveis. Como disse a Tecris, parece que a natureza posou para Marcelo Prates, num encontro de rara felicidade.
A Praça da Liberdade é um dos melhores cenários do livro, com sequências como as ninfas e o Edifício Niemeyer ao fundo. Há também a Pampulha, o Mineirão (em pleno jogo) e outras presenças de passarinhos nos lugares mais inusitados.
O livro possui textos curtos, poéticos e informativos, assinados por Nilseu Martins e Roberto Mendonça. Os interessados no livro podem ligar para o autor no (31) 9159-1879.

Beijocas!

Clara Arreguy, domingo, novembro 29, 2009. 0 comentário(s).

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Intimidade da zona

Fomos ver ontem à noite a peça Cabaré das donzelas inocentes, do amigo e ex-colega de Correio Braziliense Sérgio Maggio. O texto teatral constava do livro Conversas com cafetinas, lançado por ele no início do ano. A ficção complementa a vasta pesquisa que o jornalista fez em prostíbulos de Salvador e com prostitutas de rua de Brasília. Trata-se de um trabalho especificamente sobre donas de bordéis.
Na peça, quatro figuras emblemáticas delas se digladiam numa "longa jornada noite adentro". Confinadas num simbólico bordel desativado - pela falta de homem? pelo fim inexorável de que ninguém ainda se deu conta? - elas narram, uma a uma, sua história, seus dramas, seus momentos de leveza e peso.
Na montagem dirigida por Murilo Grossi e William Ferreira, quatro experientes atrizes de Brasília dão vida a essas figuras patéticas e tão humanas: Adriana Lodi, Bidô Galvão, Carmem Moretzsohn e Catarina Accioly. As duas primeiras, com presenças cênicas de alta tensão, dominam a cena, que seja falando, quer em silêncio, nos momentos reservados ao brilho das outras. A força de Bidô, a China, dona do lugar, e Adriana, a Saiana, que faz justiça na ponta de um facão, prevalece ao longo de todo o espetáculo, que, nesse sentido, se desequilibra.
A composição da cena, o ritmo alcançado e a ambiência construída, no entanto, resolvem esse desequilíbrio e permitem ao espectador mergulhar naquele dia a dia sofrido de quem trabalha com a venda do próprio corpo e a quem pouco resta quando a juventude se vai.
Cabaré das donzelas inocentes, a montagem, resolve bem a pouca ação proposta no roteiro, com interpretações marcantes e a tensão construída pelo texto. Um soco no estômago da plateia. Um não, vários.

Beijos!

Clara Arreguy, sexta-feira, novembro 27, 2009. 1 comentário(s).

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Luta de classes

A morte de Camilo Teixeira da Costa, o Camilão, como o chamávamos em Minas, me acendeu lembranças. Era ele o diretor do jornal Estado de Minas quando entrei para a empresa, em 1987. Petista (mais de coração do que de carteirinha), eu estreava na profissão de repórter e crítica de teatro, e trazia intactas a rebeldia e a independência pelas quais sempre lutei. Certa noite, no lançamento de um livro do amigo Roberto Drummond, o Mauro Werkema, então editor de Agropecuária, que tinha me levado para o jornal, me apresentou ao Camilão. Fui lá perto sem graça e ele, carinhoso, me deu dois beijos na bochecha. Me pegou pela mão, me deu o braço e saiu passeando comigo pelo foyer do Palácio das Artes, onde uma multidão se acotovelava pelo autógrafo do escritor.
Aí que eu fiquei sem graça mesmo, porque na minha cabeça de comuna era impensável flanar de braço dado com o patrão, ainda mais na frente de todo mundo (todo mundo que contava para mim, na época). Ele me perguntou pelo Etienne, meu tio, disse que sempre quis tê-lo nos Associados, mas que nunca tinha dado certo a conversa, talvez porque o Etienne fosse a alma do O Diário (católico), onde atuou por décadas. Disse que gostava muito de mim, que eu tinha talento e que era bom para a empresa me ter em seus quadros.
Depois daquilo, poucas vezes estive novamente com o Camilão em pessoa. Nos anos 90 ele se afastou da condução do jornal, adoeceu, e agora se foi, após anos penando uma doença degenerativa.
Que Deus o tenha.

Clara Arreguy, sexta-feira, novembro 27, 2009. 0 comentário(s).

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Prêmios, vaias e vazios

Foto: Divulgação

Foto: Marcos Camargo/Divulgação

Desculpem-me a demora em comentar os vencedores do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, mas problemas operacionais me impediram de fazê-lo antes. Vamos a eles:

Pra começo de conversa, os dois filmes apresentados no encerramento do festival, fora de competição, emocionaram os presentes: o curta Brasília, capital do século, de Gerson Tavares, foi feito em 1959 e mostra a construção da cidade a pleno vapor, com os operários pioneiros, as cenas da Esplanada dos Ministérios ainda um canteiro de obras, o Congresso, o Palácio da Alvorada etc. Depois veio o longa Brasília, a última utopia, de 1989, com seis partes de diretores diferentes. Os melhores episódios são de Vladimir Carvalho, que explora a natureza do cerrado e da própria capital, em imagens de rara beleza, e o de Geraldo Moraes, também um documentário sobre a cidade.

Na premiação, sobressaíram o longa É proibido fumar, de Anna Muylaert, e o curta Recife frio, que não vi, ambos.

Dos que vi, o documentário Filhos de João: admirável mundo novo baiano ganhou distinções como o Prêmio Especial do Júri e o do voto popular. A equipe do filme subiu ao palco várias vezes e se emocionou. Teve até a presença de Moraes Moreira, que não foi na exibição do filme, mas capitalizou assim mesmo, recitando parte de seu cordel sobre os Novos Baianos e cantando Preta pretinha junto com o público.

De celebridade, além de Moraes, somente Glória Pires (na segunda foto , com Paulo Miklos, vencedor como melhor ator) deu o ar da graça. Apareceu tanto na abertura do festival, quando ficou sem lugar pra sentar e ver seu trabalho em Lula, o filho do Brasil, quanto no vencedor É proibido fumar. Não deixou por menos: ganhou o Candango de melhor atriz, fez discurso curto e emocionado de agradecimento à família, e disse que era a primeira vez que competia nesse tipo de evento.

Um discurso que chamou a atenção foi de um produtor de Brasília que aproveitou para detonar a Secretaria de Cultura pelo estado lastimável do Polo de Cinema, onde goteiras e ninho de coruja são os menores problemas.

A diretora Anna Muylaert foi vaiada ao comentar como os jornalistas eram de alto nível (após receber o prêmio da crítica). Mas as maiores vaias foram para a produção de Perdão, mister Fiel, que levou prêmios da Câmara Legislativa do DF (que apoia produções locais). O diretor Jorge Oliveira não deixou por menos: disse que seu filme não era para analfabetos políticos nem pra críticos idiotizados, mas para pessoas com consciência, e que visava combater a tortura no Brasil. O público não gostou.

Teve mais: Larissa Sarmento, filha do nosso amigo Leopoldo Silva, fotógrafo e pedaleiro, ganhou como melhor atriz na mostra digital por Mas na verdade uma história só. E o filme da Marcela Bertoleti (foto 1, sobrinha da Rô), Dois pra lá, dois pra cá, levou como trilha sonora na mesma mostra.

Teve muito mais, mas fico por aqui. Desculpem-me a cobertura deficiente, já que não pude acompanhar todo o festival este ano. Ano que vem tem mais, e esperamos que com atrações mais fortes.

Beijos mil!

Clara Arreguy, quarta-feira, novembro 25, 2009. 0 comentário(s).

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Diálogo ficção x documentário

Foto: Alexandre Baxter/Divulgação


A última noite competitiva do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro trouxe três filmes que, por querer ou sem querer, dialogaram entre si. Os dois primeiros, os curtas pernambucanos Azul, de Eric Laurence, e Faço de mim o que quero, de Sérgio Oliveria e Petrônio de Lorena. O longa, o mineiro A falta que me faz (foto), de Marília Rocha.
Azul é uma ficção sobre uma mulher solitária que preenche a falta do filho relendo (por intermédio da vizinha) a cartinha dele. No fim, saberemos como essa cartinha foi escrita. Com silêncios de palavras e o barulho da vida, da água, do vento, dos pássaros, na lentidão de um cágado, a vida escorre aos pés da mulher solitária.
O segundo curta visita a música brega no circuito de rádios, casas de show e vendedores ambulantes de Olinda e Recife, com a movimentação de músicos, cantores, dançarinos e fãs. Com bom humor e sem falas, o documentário diverte em cores e sons.
No fim da exibição, o longa mineiro desagradou a plateia ao acompanhar a vida rame-rame de cinco adolescentes da cidade de Curralinho, perto de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha. O bonito do filme foi como a diretora fez dialogar o ambiente rochoso da Serra do Espinhaço com a vida dura e sem perspectivas das meninas, às voltas com gravidez precoce, falta de horizontes profissionais, pais e companheiros ausentes (casar ou amigar, eis a questão), farra, diversão e outros sonhos juvenis.
Em ritmo lento, poético, que permite tempo para pensar e observar, o filme esvaziou a sala do Cine Brasília ao final da exibição, sem no entanto ganhar vaias. Apenas a indiferença do público.
Hoje à noite haverá sessões de encerramento fora da competição, com filmes sobre Brasília e seus 50 anos, que se comemoram em abril de 2010, e a entrega de prêmios. Amanhã comento tudo.

Beijos!

Clara Arreguy, terça-feira, novembro 24, 2009. 0 comentário(s).

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Noite irregular no festival


Foto: Paulo de Araújo

A segunda noite competitiva do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro foi irregular, com obras aquém da primeira noite. Os curta que abriu a sessão, Bailão, de Marcelo Caetano, até que foi interessante, por mostrar o cotidiano de homossexuais mais velhos, que se encontram num salão de baile carioca onde podem paquerar sem perturbação. Sem o glamour nem as plumas das paradas gays tão populares hoje em dia, aqueles senhores dão depoimentos sóbrios e até amargos sobre um tempo em que eram confinados à sombra, sobre o advento da Aids e outras mazelas.
Em seguida, veio o curta Água viva, de Raul Maciel, que acompanha a passagem de uma menina da infância para a condição de mulher, através do desejo e das mudanças do corpo. Com roteiro confuso e interpretações fracas, foi recebido com apatia pelo público do festival.
O longa da noite, Perdão, Mister Fiel, obteve muitos aplausos, mas deixou a sensação de trazer elementos demais e resolvê-los mal. Trata-se de um filme importante, pelo resgate de uma história trágica e essencial na virada política do país durante a ditadura militar (o episódio da prisão, tortura e morte do operário Manuel Fiel Filho, cuja viúva, Teresa, aparece na foto), mas que possui poucas qualidades como cinema. O roteiro mescla depoimentos com a encenação (fraca) de trechos da vida de Fiel.
A reportagem, abrangente demais, abre tanto o leque que não consegue responder a tudo que se propõe. Tem a história de Fiel, o PCB, a morte de Vladimir Herzog, a tortura no Brasil, a Operação Condor, que uniu ditaduras do Cone Sul para combater a "subversão", a ação da CIA e do governo norte-americano no apoio aos golpes etc. etc. etc.
Entre os depoentes, quem rouba a cena é o ex-agente do DOI-Codi Marival Chaves, que abre o verbo sobre tortura, assassinato e todo tipo de ato ilegal cometido pelos órgãos de repressão, citando nomes de algozes e vítimas e fazendo revelações até então mantidas nos porões da história.
O presidente Lula fala bem sobre o episódio e o período. Depoimentos de José Sarney foram bastante vaiados pela plateia, que vaiou só um pouquinho Fernando Henrique Cardoso e Jarbas Passarinho e poupou Roberto Freire (presente à sessão) a pedido do diretor do filme, Jorge Oliveira.
As noites de sexta a domingo vou perder porque saio em viagem, mas na segunda, volto e comento mais o Festival de Brasília.

Beijos!

Clara Arreguy, sexta-feira, novembro 20, 2009. 0 comentário(s).

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Bom começo



A mostra competitiva do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começou quente, com um curta regular, um ótimo, e um longa muito legal. O curta carioca Homem-bomba, de Tarcísio Lara Puiati, tinha argumento interessante (o diálogo entre dois meninos do tráfico de drogas no alto de um morro), mas interpretações fraquinhas, aquém da necessidade do texto. Já o gaúcho Amigos bizarros do Ricardinho, de Augusto Canani, foi um show de bom humor, de montagem ágil e texto inteligente, candidato à consagração do público.

A noite terminou com o documentário Filhos de João, admirável mundo novo baiano, que narra a trajetória do grupo musical, time de futebol e comunidade hippie Novos Baianos. Com depoimentos interessantes - Tom Zé rouba a cena do início ao fim - e cenas de arquivo, o filme apresenta às novas gerações boa parte da história de uns malucos que renovaram a música brasileira num período fechado da ditadura militar. A alegria e o talento marcaram o grupo de Moraes Moreira, Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Dadi, Jorginho e tantos outros. Vários deles dão depoimentos enriquecedores sobre a história - apenas Baby concedeu entrevista e depois vetou sua inclusão no filme, conforme relatado nos créditos e explicado, em entrevista, pelo diretor, Henrique Dantas, como sendo "questões financeiras". Lastimável para alguém que, pelo que mostra o filme, viveu uma época na vida em paz, amor, liberdade total e voto de pobreza...

Na primeira foto, parte da equipe de Filhos do João, com o compositor Galvão ao microfone. Na segunda, o diretor (ao centro) de Amigos bizarros do Ricardinho.

As fotos são de Paulo de Araújo.

Clara Arreguy, quinta-feira, novembro 19, 2009. 0 comentário(s).

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Barraco, mico e um bom melodrama

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr

A noite de abertura do 42º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro teve de tudo: excesso de lotação no Teatro Nacional, protesto da produção de Lula, o filho do Brasil, vaias a Luiz Carlos Barreto, que denunciou o perigo de ter as saídas (escadas centrais e laterais) tomadas por pessoas (e que convidou os que estavam no chão para verem depois outra sessão do filme), protesto de um grupo pedindo a libertação de Cesare Battisti, protesto dos cegos, dos surdos... e falta de lugar para a produção do filme sentar (mais ou menos contornada pelo pessoal da Secretaria de Cultura, que aos poucos ajeitou na plateia artistas e políticos.

Presentes Glória Pires (que faz a mãe de Lula, Dona Lindu, o ponto alto do filme) e o marido, Orlando Morais, Cléo Pires (que faz a primeira mulher de Lula), Juliana Baroni (Dona Marisa Letícia no filme), Milhem Cortaz (em forte desempenho como o pai de Lula), Antônio Pitanga, Lucélia Santos (ambos ícones do cinema nacional, em participações especiais), além do protagonista, Rui Ricardo Diaz, uma ótima revelação, do diretor, Fábio Barreto, e de membros da equipe técnica.

O filme em si não é uma grande obra, mas realiza bem a proposta de contar, em forma de melodrama, a história de um brasileiro que passou por todo tipo de dificuldade e conseguiu crescer, por obra de seu esforço, talento, inteligência, pertinácia e, por que não?, sorte. Como bom melodrama, oferece várias oportunidades para arrancar lágrimas da plateia, seja nos momentos em que as crianças passam perrengues, seja nas tragédias familiares que configuraram a história do hoje presidente do Brasil, seja pela emoção de quem viveu as lutas democráticas na virada dos anos 70 para os 80.

Fábio Barreto se atém a essa trajetória, que vai do nascimento à chegada à posição de líder dos metalúrgicos, após as greves no ABC e a prisão no Dops, antes da fundação do Partido dos Trabalhadores. Ficam ali visíveis a forja do caráter do líder operário, bom número de seus dramas pessoais e, infelizmente, a sonegação de parte dessa história. A filha que ele teve fora dos dois casamentos e cuja existência (varrida para baixo do tapete) já lhe rendeu desgastes políticos de sobra na campanha eleitoral de 1989, não é sequer mencionada no filme. Uma pena.
De qualquer maneira, o filme foi aplaudido pelo Teatro Nacional lotado. Quem conhece o público do Festival de Brasília sabe que isso não é pouco.


Beijos!

Clara Arreguy, quarta-feira, novembro 18, 2009. 0 comentário(s).

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Road movie à brasileira

Foto: Divulgação

O novo filme de Suzana Amaral, Hotel Atlântico, baseado na obra de João Gilberto Noll, possui um clima pesado, interpretações intensas e situações absurdas que fazem dele uma espécie de road movie descalço.

O roteiro acompanha uma viagem do Artista, ator sem nome que embarca num ônibus, onde passa algumas horas ao lado de uma linda mulher até que... coisas acontecem e o levam a pegar carona com dois caras bem malucos, violentos, de quem ele foge até chegar a uma cidadezinha e se hospedar com uma dupla também muito louca: o sacristão e a lavadeira de uma igreja sem padre. Até que encontra um médico, a filha dele, um enfermeiro... Até que...

E seguem-se as aventuras do Artista se tornando cada vez mais desventuras, tragédias, luz no fim do túnel... Júlio Andrade, que havia protagonizado o ótimo Cão sem dono, dá consistência ao decorrer do filme, em todos os seus momentos mais disparatados. O restante do elenco, com Mariana Ximenes (com Júlio na foto), João Miguel, Gero Camilo, Walter Breda e outros, compõe apenas como coadjuvante de um trabalho em que brilha o protagonista.

Beijos!

PS - Começa hoje o Festival de Brasília, com a exibição hors concours de Lula, o filho do Brasil. Amanhã comento.

Clara Arreguy, terça-feira, novembro 17, 2009. 0 comentário(s).

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Rock francês e brasileiro

Estivemos ontem à noite no Centro Comunitário da UnB, uma grande tenda prazerosa para shows, mas de acústica deficiente. O Festival Internacional de Música de Brasília começou ontem com um encontro entre brasileiros e franceses. Marcado para as 19h, o evento começou às 20h com Luiz Melodia, que animou a plateia com clássicos de sua obra. Antes de se despedir, ele fez dueto com a francesa Jeanne Cherhal, segunda atração da noite - e uma das melhores. Ela cantou e tocou com verve. Ao lado de sua ótima banda, mandou ver num rock contemporâneo dançante e bem interpretado. Depois, vieram a paulista Isca de Polícia e a francesa Spleen, que deixaram o pique cair. Com as seguidas demoras nas trocas de cenário e equipamento, o festival ralentou tanto que, quando Arnaldo Antunes e Edgar Scandurra, os mais aguardados da noite, entraram, já era mais de meia-noite de terça-feira. Vi a abertura e me mandei. Não fiquei pra conferir o francês Bertignac, que encerraria a primeira noite.
Hoje tem Sandra Nkaké e Ana Cañas, Thierry Streler e Móveis Coloniais de Acaju, mas acho que não terei saúde pra rebater.

Beijocas!

Clara Arreguy, quarta-feira, novembro 11, 2009. 0 comentário(s).

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Educação sexual por Tom Zé

Foto: Divulgação

Dá pra imaginar a cena: Raul Gil, em seu programa vespertino de sábado, convida Tom Zé (foto) para seu quadro sobre tirar ou não o chapéu para determinado assunto, fato ou pessoa. Tom Zé surpreende a plateia ao tirar o chapéu para o funk carioca. E dá uma aula de educação sexual para as meninas: "Tô ficando atoladinha é um refrão perfeito, é um metarefrão parametafórico, representa a libertação do desejo e do prazer da mulher. Vocês, na plateia, em vez de ficarem me aplaudindo, deveriam vaiar os homens que só querem fazer fuc-fuc e gozar, sem ligar pro prazer da mulher. Ensinem seus namorados a lhes dar prazer, a fazê-las gozar. Mulher precisa de calma e paciência para chegar ao orgasmo!" e foi por aí afora...

Beijos parametafóricos!

Clara Arreguy, quarta-feira, novembro 11, 2009. 0 comentário(s).

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Saramago x Deus

A briga de José Saramago com a religião, entra ano e sai ano cada vez mais acirrada, chega ao clímax com seu novo romance, Caim, em que ele quase abre mão da arte em nome da militância. Digo quase porque, em que pese a força da ideologia, não deixa de haver no livro a boa literatura de sempre. Como já visto na publicação anterior, O caderno, reunião de posts de seu blog, o escritor português se preocupa demais com os assuntos de Deus e da Igreja - demais para um ateu. Só que Saramago é ateu praticante e militante, daí a necessidade que sente de esgrimir contra tudo que diga respeito às duas entidades.
Caim é o ponto alto dessa peleja. Nele, o ganhador do Nobel revisita a Bíblia e alguns dos principais episódios do Antigo Testamento para denunciar toda a crueldade de Deus. A expulsão de Adão e Eva do paraíso, a preferência por Abel (que teria levado Caim, com ciúmes, a matá-lo), a ordem para Abraão sacrificar seu filho Isaac, a condenação de Sodoma e Gomorra, entre outras passagens, são testemunhados por um Caim indignado com tanta injustiça. Sede de conhecimento não seria motivo para condenação e sim de aplausos. As crianças de Sodoma, inocentes, deveriam ser poupadas. Os argumentos vão por aí.
Um Deus vingativo, cruel, injusto e invejoso seria o responsável pela geração de uma humanidade permeada pelos mesmos defeitos. Moisés, Noé e outros personagens bíblicos comparecem com sua parte na história. A intenção do autor: matar Deus. Para um ateu, muito bandeirosa essa necessidade. As liberdades poéticas, pelo menos, possibilitam uma leitura ligeira e divertida. Nada que justifique a provável polêmica com grupos religiosos, que decerto sentirão o pisão no calo.

Beijos gerais!

Clara Arreguy, quarta-feira, novembro 04, 2009. 0 comentário(s).

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É isso aí


Foto: Divulgação


Não achei nada de mórbido no documentário Michael Jackson's This is it. Pelo contrário. Como fã, gostei de ver MJ em seus últimos momentos de vida, cheio de criatividade, carisma e talento que manteve ao longo da vida e da carreira, que se confundem no tempo espaço. Eu e muitas crianças presentes a uma sessão de cinema lotada cantamos com ele hits eternos, ainda que sem grande emoção, já que o editor do filme soube conter excessos melodramáticos. O documentário edita superbem as tomadas feitas nos ensaios preparatórios daquela que seria a última, se houvesse acontecido, turnê do mega-astro, que estrearia em julho, não fosse o passamento de Michael em 25 de junho.

Lamentável perda de um artista de seu quilate, aos 50 anos, com tanto ainda por cantar, dançar, compor, mover com seu poder criador. Pelos ensaios e clipes já prontos (como o que põe Michael contracenando com Rita Hayworth e Humphrey Bogart), vemos que seria mais um espetáculo superlativo em tudo, como tudo que envolveu e envolve o nome de Michael Jackson.


E beijos!

Clara Arreguy, segunda-feira, novembro 02, 2009. 0 comentário(s).

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