Moçambique poético

O novo romance do moçambicano Mia Couto, A varanda do frangipani, tem como protagonista um fantasma que "vive" à sombra de um frangipani (árvore de flores perfumadas, deve ser algo como um jasmim), ao lado de um asilo de velhos. Pela voz do fantasma, vamos saber um pouco sobre a vida do país nesses tempos pós-guerra, em que o novo regime já não dá ouvidos aos idosos, que não valem senão pelo proveito que possam trazer. Numa linguagem altamente poética, que lembra Manoel de Barros, e com imagens de realismo fantástico e investigação policial, acompanhamos histórias de vida, amor, traição, violência. São personagens comoventes, nossos parentes num idioma tão parecido e tão diferente. Quanta musicalidade na recriação desse português mesclado com línguas africanas. Maravilha!
Beijos!

Clara Arreguy, sexta-feira, março 30, 2007. 1 comentário(s).

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Marji no Irã

Saiu o quarto volume dos quadrinhos de Persépolis, história de Marji, a menina iraniana que já passou por poucas e boas nas três primeiras revistas. Criada no Irã do xá, ela enfrentou a revolução xiita, viveu alguns anos na Europa e, nesta seqüência, volta ao seu país, ainda sob regime pesado dos "barbudos", que cerceiam liberdades - principalmente as das mulheres - e impõem todo tipo de restrição. Escrito e desenhado por Marjane Satrapi, Persépolis comenta com bom humor e espírito crítico as diferenças culturais entre Ocidente e Oriente, do ponto de vista de alguém formado com personalidade, opiniões e pouca vocação para ser oprimida. A história é real e o desenho, rico em poder de síntese.
Beijões.

Clara Arreguy, quarta-feira, março 28, 2007. 0 comentário(s).

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Fábula nórdica

Vem da Finlândia o filme Homem pelicano, participante do projeto A Tela em Sala de Aula, do qual faço parte com o subprojeto Pequeno Jornalista, no qual oriento estudantes a escreverem sobre as produções vistas. Homem pelicano está sendo exibido no CCBB de Brasília para alunos inscritos nos projetos e, nos fins de semana, para o público em geral, de graça. É uma fábula moderna, sobre um enorme pássaro que desce numa cidade finlandesa e se passa por humano. Aos poucos, ele aprende a linguagem, a cultura, sentimentos bons e ruins. Entre as boas experiências, está o trabalho num teatro, onde conhece a música e a dança. Também faz amizade com um menino e uma menina. No lado negativo, enfrenta a intolerância com as diferenças, característica que o leva a deixar tudo para trás e voltar aos ares. Uma linda história, com personagens fortes (o menino que enfrenta a separação dos pais é a melhor delas) e ambientação numa Escandinávia limpa, "civilizada" e ensolarada, em pleno verão.
Beijocos!

Clara Arreguy, sábado, março 24, 2007. 0 comentário(s).

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Literatura de fôlego

Acho que nunca demorei tanto para ler um livro como aconteceu agora, com Os filhos da meia-noite, de Salman Rushdie, que comecei no finzinho do ano e só fechei ontem (domingo), depois de três horas de embalo. Não era dificuldade nem ruindade, pelo contrário. É que tive pouco tempo de leitura em janeiro e fevereiro, por motivos de correrias várias, e o romance é longo, 600 páginas. Valeu o tempo. Trata-se de um romance (como o outro dele que eu havia lido, O último suspiro do mouro) em tom meio fantástico, que lembra os latino-americanos do gênero. O narrador protagonista nasceu no mesmo dia e hora que a independência da Índia, em 15 de agosto de 1947, e, nos 31 anos seguintes, tem sua vida profundamente ligada à história do país. Entre poderes extraordinários (dele e de outros "irmãos", nascidos sob o mesmo signo), acompanhamos a política externa e interna do país, as difíceis relações entre Índia e Paquistão, a separação de Bangladesh, guerras, estados de emergência etc, junto a problemas familiares e pessoais de um personagem arrebatador. Sensacional!
Beijocas!

Clara Arreguy, segunda-feira, março 19, 2007. 0 comentário(s).

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Lô novo

Fizemos aqui no Correio Braziliense matéria sobre o disco novo do Lô Borges, Bhanda, que o compositor e músico mineiro lançou, na semana passada, em Brasília. A sonoridade está bem rock and roll, meio Beatles, com o auxílio do pessoal do Radar Tantã, que participa do trabalho. Nas letras, a mais antiga parceria de Lô, com o irmão Márcio, e o encontro mais recente, com Chico Amaral. Ainda que não se iguale às obras-primas do início de carreira, quando ajudou a gerar o Clube da Esquina, com Milton Nascimento e a galera mineira, o novo disco está bonito, bem acabado, com arranjos e instrumentos inspirados.
Beijocas!

Clara Arreguy, quinta-feira, março 15, 2007. 0 comentário(s).

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O amigo do síndico

O cantor Fábio não é muito conhecido de quem tenha menos que 40 anos. Companheiro de Tim Maia e Hyldon nos primórdios da soul music brasileira, ele fez sucesso durante alguns anos, depois caiu no ostracismo, foi morar no Sul da Bahia e saiu de cena. Agora, acaba de lançar, pela Matrix (editora paulista) o livro de memórias Até parece que foi sonho (título de uma canção que dividiu com Tim Maia), relembrando sua trajetória e a da turma liderada por Tim. Meio mal escrito, tem casos engraçados envolvendo o famoso mau humor do cantor carioca, episódios de sexo e drogas, uma ponta de tristeza pela eterna angústia do ídolo. Pelo que Tim foi e representou, vale a lida. O livro é curtinho e as histórias, curiosas.
Beijões!

Clara Arreguy, terça-feira, março 13, 2007. 0 comentário(s).

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Retorno literário

Ando muito parada nos comentários literários porque, no final do ano, comecei a ler o romance Os filhos da meia-noite, de Salman Rushdie, e não consegui terminá-lo até hoje. Não que seja ruim, pelo contrário. O problema é que é longo (600 páginas) e tive, nesse meio tempo, que fazer mudança e outros probleminhas. Então, precisei interromper sua leitura algumas vezes. Uma foi para ler rapidinho um romance já de alguns anos atrás, A mulher que escreveu a bíblia, de Moacyr Scliar, uma delícia. Inteligente, bem-humorado, usa bem as informações bíblicas para traçar um retrato de época cuja principal marca é a acuidade para uma visão da mulher, coisa rara entre homens. A personagem, sensacional, convive com o Rei Salomão e vivencia mil aventuras, inclusive no plano filosófico. Não à toa, ganhou o Prêmio Jabuti de 2000.
Um beijão em todos!

Clara Arreguy, domingo, março 11, 2007. 0 comentário(s).

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Suicídio no Pátio Brasil

Por incrível que pareça, a expressão que titula esta nota está atraindo um monte de gente ao nosso blog. É a segunda vez que isso acontece. É a segunda vez que um infeliz se joga num shopping de Brasília e as pessoas, pesquisando no Google, vêm parar aqui. Tudo porque tenho notas, diferentes, que citam suicídio (tema de um filme que comentei) e Pátio Brasil (onde foi lançada a coletânea de contos de que participei, no ano passado). Aí, as coincidências da internet. A visitação ao blog explode, mas as pessoas não encontram o que estão procurando. Se for esse o seu caso, seja bem-vindo. Aqui falamos de cultura, de livros, filmes, música.

Beijos e bom fim de semana!

Clara Arreguy, sexta-feira, março 02, 2007. 8 comentário(s).

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Da cama pra fama

Será que eu já comentei com vocês o filme espanhol Da cama para a fama? Creio que não, porque comecei a ver há algum tempo e tive que interromper (meu aparelho de DVD deu pau) e só esta semana assisti ao final da história. Trata-se de uma trama curiosa: um cara vive de vender enciclopédias, mas o mercado decai e a editora onde ele trabalha o convida, com a mulher, a protagonizar filmes supostamente científicos sobre educação sexual. O projeto tem parceria com produtores da Escandinávia, que apresentam Bergman para Alfredo e Carmen. Resultado: além de virarem atores de filmes eróticos, Alfredo se torna aficionado do diretor sueco, com pretensões de seguir carreira, e Carmen vira musa nos países nórdicos. E vão filmar uma produção própria, enquanto enfrentam problemas para engravidar. É diferente, divertido, picante, inteligente. Imperdível!
Beijocas!

Clara Arreguy, quinta-feira, março 01, 2007. 0 comentário(s).

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