Nem tão idiota

Escola de idiotas, de Todd Phillips, tem título enganoso. Não é daqueles filmes de débi & lóide (que confesso nunca ter assistido), mas uma história interessante sobre um grupo de rapazes com dificuldades de auto-afirmação, que vão parar numa escola comandada por dois truculentos. A certa altura, nosso herói, Roger (Jon Heder), começa a descobrir os truques do Dr. P (Billy Bob Thornton). Picareta, extremamente competitivo, o famigerado não só tira proveito dos "alunos" como se mete a conquistar a moça na qual Roger está interessado, Amanda (Jacinda Barrett). Daí começa uma guerra em que o bobo se mostrará menos bobo do que parecia e, movido pelo amor, vai mostrar esperteza suficiente para enfrentar o perigoso "doutor". Com boas tiradas e personagens bem delineados, a cargo de atores como o ótimo Thornton, Heder e Barrett, mais Ben Stiller (em participação especial), Michael Clarke Duncan e Luis Guzmán, o resultado surpreende quem ultrapassar a barreira do título.

E beijos!


Clara Arreguy, quarta-feira, maio 30, 2007. 0 comentário(s).

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Poeta do óbvio

Há alguns problemas com o cineasta Roberto Benigni. O maior deles, na minha opinião, ser o poeta do óbvio. Não que ele não seja poeta, o defeito é a verborragia. Enquanto gênios como Chaplin, Tati e poucos outros se esmeravam na economia, no enxugamento máximo de palavras e ações, Benigni fala pelos cotovelos, despeja palavras e gestos. Seu O tigre e a neve é um filme poético - sem novidade, uma vez que ele próprio inaugurou a estrutura. É ousado, ao botar o dedo na ferida aberta da Guerra do Iraque. É corajoso, ao pisar no campo minado do humor e da tragédia numa situação que o mundo discute com reverência. A cena da morte do poeta iraquiano revela sua disposição de não poupar questões. Mas o falatório over contamina boa parte de sua graça, de seu personagem, e tira da produção as melhores chances de ser um grande filme. Ainda sobra muita coisa, tem também o sonho, com Tom Waits, que sempre vale. Infelizmente, fica no quase.
Beijos!

Clara Arreguy, segunda-feira, maio 28, 2007. 0 comentário(s).

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Outro bom policial

Depois da filósofa em O Clube Filosófico Dominical, acabo de ler outro policial cujo protagonista não é detetive, agente ou coisa que o valha, e sim um professor universitário gay e judeu. Colóquio mortal, de Lev Raphael, se ambienta num simpósio sobre a escritora Edith Wharton, organizado pelo narrador da história, Nick Hoffman, que vive com um escritor. Durante o encontro em que intelectuais e acadêmicos ardem numa fogueira de vaidades, duas autoras lésbicas são assassinadas, o que detona o conflito já escancarado entre comunidade gay e setores ultraconservadores, contrários aos direitos civis das minorias. Tudo numa pequena cidade dos EUA dominada pelos personagens típicos do campus universitário.
Boa trama, escrita fluente, leitura prazerosa.

Beijos!

Clara Arreguy, terça-feira, maio 22, 2007. 0 comentário(s).

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Tim Maia em forma

O CD e o DVD lançados alguns dias atrás de Tim Maia, do especial In concert, apresentado em 1989 pela TV Globo, são exemplares de balanço como poucas vezes se viu. O mestre do suingue está afiadíssimo, interpretando seus maiores sucessos, mais uma raridade: Baby, de Caetano Veloso, único registro de Tim para essa maravilha de canção. No mais, são hits como O descobridor dos sete mares, Do Leme ao Pontal, Sossego, Vale tudo, e algumas das lindas baladas - É primavera (vai chuva), Telefone, Azul da cor do mar etc.
Os problemas são dois: a discrepância entre CD e DVD (o primeiro tem uns 22 minutos a mais que o segundo, mais músicas e mais conversa de Tim) e a censura sofrida pelo DVD. Lembram aquela provocação que Tim Maia habitualmente fazia em seus shows (nos que ele ia, claro)? Pois é, no CD estão todas lá, no DVD somem. Nada de "só as virgens", nada de conversas que sugiram sacanagem, política ou drogas. Uma lástima.
Tirando isso, a banda Vitória Régia e a orquestra que o acompanham desbundam. É só balanço.
Beijões!

Clara Arreguy, segunda-feira, maio 21, 2007. 4 comentário(s).

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Encanto por Chico

Toda esta ausência - 10 dias - se explica pela trabalheira das últimas semanas e pela falta de tempo de ler e ir ao cinema. A semana teve também, aqui em Brasília, show do Chico Buarque, que assisti da terceira fila, a mesma em que estavam o presidente Lula e dona Marisa. Um show impecável, maravilhoso, com o artista em estado de encantamento, a banda afiadíssima, o repertório, de novas e clássicas, irretocável. Desculpem-me os superlativos, mas foi assim mesmo. Um evento para marcar na memória afetiva. Fui a três shows de Chico na minha vida toda. Nunca esquecerei nenhum deles.

Beijos e té logo!

Clara Arreguy, domingo, maio 20, 2007. 1 comentário(s).

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Antes tarde

Só agora li o volume de contos Ela e outras mulheres, de Rubem Fonseca, lançado no ano passado. Antes tarde do que nunca. Um dos maiores autores brasileiros em atividade, Fonseca compõe um quadro em que cada conto tem o nome de uma mulher - exceto Ela, sem nome. Nos demais, aquele universo típico do autor, com desgraças de todo tipo e uma ou outra esperança respingada aqui e ali. Alguns personagens se repetem em diferentes histórias. Zé, o pistoleiro profissional, protagoniza a mais interessante delas, sobre uma senhora, vizinha dele, maltratada pelos enteados após a morte do marido. A linguagem seca e rascante, a crueza da visão de mundo, tudo em Rubem Fonseca vai além do comum.

Beijos mil

Clara Arreguy, quinta-feira, maio 10, 2007. 0 comentário(s).

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Polcial filosófico

Uma delícia o policial Clube Filosófico Dominical, de Alexander McCall Smith. Protagonizado pela filósofa Isabel Dalhousie, filha de escocês e norte-americana, o romance se passa em Edimburgo, na Escócia, onde nossa heroína se debate entre questões éticas e amorosas. No início da trama, ela acaba de assistir a um concerto quando testemunha a queda de um homem das galerias do teatro. O olhar que a vítima e ela trocam antes que ele morra esborrachado lá embaixo sela o compromisso moral que Isabel sente de investigar o ocorrido. Enquanto edita artigos para a Revista Ética, a quarentona solitária se apaixona por um jovem, se envolve no noivado da sobrinha, debate com a empregada, investiga corrupção no mercado financeiro, sobre o qual lança suas suspeitas para a misteriosa morte do rapaz, e ainda questiona valores éticos e morais a cada tópico da vida cotidiana. Muito divertido.

Beijocas!

Clara Arreguy, terça-feira, maio 08, 2007. 0 comentário(s).

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Encontros legais

O disco novo do Erasmo Carlos é um barato. São encontros dele com outros artistas, como Chico Buarque (os dois cantam juntos Olha, que toca na novela das nove da Globo), lindamente, mas há ainda ele e Lulu Santos em Coqueiro verde, ele e Skank em A banda dos contentes, ele e Kid Abelha, Djavan, Os Cariocas, Marisa Monte e, num dos melhores momentos, com Zeca Pagodinho fazendo Cama e mesa, num sambão contagiante. Delicioso trabalho de arranjos originais, em que grandes nomes da MPB se rendem a belas criações de Erasmo e Roberto (pena que o Rei tenha se deixado seduzir pela sanha censória e proibido o livro do Paulo César de Araújo. Comprei o meu e depois de ler farei meus comentários). Voltando ao disco do Erasmo, ele fecha com o Tremendão dividindo com Milton Nascimento Emoções. A arte é maior que os homens.
Beijos!

Clara Arreguy, segunda-feira, maio 07, 2007. 1 comentário(s).

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Um menino grande

O DVD sobre Ziraldo - O eterno menino maluquinho - não traz muitas novidades sobre a carreira do cartunista, desenhista, escritor e assessor para assuntos gerais, mas tem várias qualidades. Uma delas é a própria figura do homenageado, que dá longa entrevista em que conta um pouco da vida, as relações afetivas, a trajetória de Caratinga (MG) para o mundo. Cenas de filmes, peças, desenhos e balés aparecem nos extras, assim como uma série de depoimentos sobre ele, de outros cartunistas e artistas. Uma curiosidade muito legal é um extra em que colegas de Ziraldo, como Maurício de Souza, Nani, os Carusos e Miguel Paiva, entre tantos, desenham o Maluquinho, o Pererê e outros personagens do cartunista. Muito legal.

Beijins!

Clara Arreguy, sexta-feira, maio 04, 2007. 0 comentário(s).

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Dois em um

O novo romance de Domingos Pellegrini, Quadrondo, trabalha tanto com a questão da dualidade que acaba parecendo dois romances em um. No primeiro, pontifica o professor Tião Terra, um cara cínico, machista e beberrão, que defende a tese de que o que é humano vem da combinação entre quadrados e redondos, retas e curvas, natureza e cultura. Sua síntese seria o quadrondo, a quadrôncia ou o que o valha. O professor está em viagem, junto com outros escritores brasileiros de renome, na Alemanha, justamente quando cai o muro de Berlim. Na segunda metade do livro, Terra larga o emprego na universidade e se muda para uma ilha, onde conhece uma jovem e vira uma espécie de benfeitor do lugar, criando uma cooperativa e mudando a vida das pessoas. Todo politicamente correto, o epílogo não corresponde aos melhores momentos da primeira parte, mas não deixa de trazer reflexões interessantes sobre o Brasil e o mundo contemporâneo.

Beijocas

Clara Arreguy, terça-feira, maio 01, 2007. 0 comentário(s).

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