Presente musical do Pato Fu

Sem saber que era meu aniversário, Fernanda Takai me presenteou com seu novo - e excelente - disco, Música de brinquedo. Os maledicentes vão dizer que o Pato Fu faz música pra criança há muito tempo, como se isso fosse diminuir o trabalho da banda mineira. Que nada! Criança é papo sério.
Tudo no novo trabalho é tão leve quanto valoroso. A começar pela proposta, de tocar instrumentos de brinquedo ou de criança. O resultado sonoro encanta e faz a gente dançar, muito pelos arranjos, mas também por causa do segundo item, o repertório. Quanta delícia! De roquinhos brasileiros, com Paralamas, Ritchie e tal, a clássicos internacionais, de Elvis a Paul McCartney.
Mas fico no Rock and roll lullaby, que nos anos 70 embalava os dissabores de Cris e Simone, os protagonistas da novela Selva de pedra. Minha geração se debulhou em lágrimas ao som da canção de B.J. Thomas, e a versão do Pato Fu traz de volta essa e outras pérolas com as quais podemos dançar, rir, brincar, nos enternecer.
A participação dos filhinhos dos músicos é, por fim, o elemento que fecha com graça e um trabalho conceitual tão divertido quanto sério.
Obrigada, amigos, pelo presente!

Beijus!

Clara Arreguy, terça-feira, outubro 26, 2010. 0 comentário(s).

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Um poema

Olhares no ônibus

Se eu conhecesse o homem que se senta à minha frente neste ônibus,
Poderia amá-lo.
Amar seus emergentes cabelos brancos,
Amar a caspa que suave lhe cai aos ombros.

Se eu conhecesse o homem que carrega o trabuco no carro-forte
Ao lado do ônibus,
Poderia amá-lo.
Amar o olhar que desvia da preocupação com a grana que carrega
E encontra o bico do seio da menina que se abaixou pra pegar uma moeda no chão.
Amar o olhar que viu o que meus olhos viram.
O bico do seio,
A menina,
A moeda no chão.

Por um triz seu olhar viu meus olhos vendo seus olhos e o bico do seio.
Por um triz, uma ereção em plena tarde de trabalho,
Trabuco na mão.
Por um triz, um calor no baixo ventre, um tesão.
Ele, trabuco na mão.
Eu, a velha safada no ônibus.
Ela, a menina-moça à beira do abismo da existência.

20/10/10

Clara Arreguy, sexta-feira, outubro 22, 2010. 1 comentário(s).

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Viva a poesia, mais uma vez

Estive esses dias envolvida em poesia até a alma. Primeiro, li o Meiaoito, do Turiba, e depois O bagaço da laranja, do Nicolas Behr, ambos poetas de Brasília (nascidos em outras plagas, mas poetas de Brasília).
Cada um a seu modo me encantou e envolveu. Turiba faz um inventário de emoções, dores e delícias dos anos 60, quando ditadura e amor livre faziam o contraponto dialético para um tempo de tanto fechamento e de tanto encontro de caminhos. Em outro grande e importante poema, celebra o coração, não o metafórico, mas o "órgão propulsor" de que falava Noel. Tudo motivado por um enfarte que o acamou e apaziguou com o próprio coração.
Já Nicolas seleciona versos líricos, ecológicos e de amor e crítica à cidade, ao cerrado, ao Planalto, com ironia apaixonada, leveza e a ligeireza de um cronista poético.

Por tudo isso, fiquei feliz. E descobri que fazia mais de 30 anos que não escrevia versos. Aí escrevi um poema. E era o Dia do Poeta. No próximo post, o resultado de tudo isso.

Beijos!

Clara Arreguy, sexta-feira, outubro 22, 2010. 0 comentário(s).

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O buraco é mais embaixo

Foto: Divulgação

Em Tropa de elite 2 - O inimigo agora é outro, o diretor José Padilha não só amadurece a leitura que faz do problema da violência no Rio de Janeiro (leia-se Brasil) como, ao politizar essa leitura, volta a uma questão dialética meio deixada de lado nas análises mais recentes (e rasas). A culpa é do sistema, diz ele, com todas as letras. E o sistema o que é? A política, com interesses de classe, de grupos econômicos, de grupos de pressão.

O capitão Nascimento (foto, um Wagner Moura ainda mais convincente), agora coronel, sai da esfera da atuação policial para adentrar a política, pela via de uma "promoção" em que pretendiam neutralizá-lo. Vai parar num escritório da Secretaria de Segurança Pública, mas, de olho na guerra que trava durante toda sua vida, consegue, a custo, costurar as ligações entre tráfico, milícias, policiais corruptos, políticos corruptos. A teia se constrói ao sacrifício de vidas, culpadas ou inocentes: policiais corruptos tomam dos traficantes o poder nas comunidades. Ali enriquecem ao comercializar, para dentro, serviços e "segurança" e, para fora, votos e "paz".

Quando decifra a nova equação, Nascimento se vê pessoalmente envolvido em confusão, pois seu outrora maior inimigo, o "cara dos direitos humanos", agora é marido de sua ex. Seu filho (nascido no filme anterior) agora está na linha de tiro dos bandidos. E o "esquerdista" que ele tanto odiava passa a ser o único aliado confiável. Política, enfim.

Tropa de elite, filme de ação e algum questionamento, deu lugar a O inimigo agora é outro, thriller político com muita ação. Uma categoria tão boa quanto, mas bem mais respeitada de cinema, por suplantar o mero entretenimento rumo a uma arte que faz pensar e debate as mazelas da nossa sociedade. Mais atual e importante, impossível.


Beijus!

Clara Arreguy, segunda-feira, outubro 18, 2010. 1 comentário(s).

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Mulher procura - e acha

Divulgação

Comer, rezar, amar, filme baseado no best-seller de Elizabeth Gilbert, coloca interessantes questões sobre a mulher e sua procura de felicidade. Em geral, ter um homem é condição sine qua non, na visão usual da sociedade, para que uma mulher se realize. Penso que o amor só nos faz melhores, mas que ter um homem não é condição para sermos nem felizes nem melhores seres humanos. Ser capaz do amor sem uma relação estável e convencional não só é possível como mais comum do que se mostra nos filmes e nos livros.

Na história em questão, a escritora Liz Gilbert (Julia Roberts, foto) desiste de repetir os mesmos erros amorosos com seus jovens namorados/maridos e parte em busca de si. Primeiro, pela via do prazer gastronômico, sentidos à solta, nada de anorexia: deliciosa pasta italiana, maravilhosas paisagens italianas, pessoas quentes e amorosas (homens lindos, claro!). Depois, segue para a Índia, onde meditar e se acalmar são árduas tarefas, numa cultura tão diferente da sua. Finalmente, Báli e suas praias, seu guru, seu sonhado equilíbrio.

E é aí que mora a recompensa: quando a gente faz as pazes com a gente, quando a gente se encontra com a gente, quando a gente se ama, a probabilidade de encontrar quem nos ame é muito maior. E a sortuda da Liz tromba (literalmente) com um brasileiro cheio de amor pra dar (não critiquem Javier Bardem pelo brasileiro que ele faz. É um grande ator e o sotaque é o de menos).

Ouça com deleite a trilha sonora. Vai de Neil Young a João Gilberto com harmonia e bom gosto. Um prato com sustância para quem se permite prazeres.


Beijins!

Clara Arreguy, segunda-feira, outubro 18, 2010. 0 comentário(s).

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Aprendendo a pensar

Há livros que, mesmo não sendo clássicos nem obras de maior importância literária, nos ensinam coisas que não esperávamos. O navio de ouro, de Gary Kinder (Record), é uma reportagem que eu tinha há anos e ainda não havia lido. Trata-se de uma embarcação, o SS Central America, naufragada em 1857, plena corrida do ouro californiana, quando levava para Nova York mais de 600 pessoas, das quais cerca de 150 se salvaram e quase 500 morreram. Junto com elas, sucumbiram quilos e quilos de ouro em barras, pó e moedas.

Os primeiros capítulos do livro acompanham as aventuras e desventuras do Central America, as tragédias humanas e os heroísmos de alguns. Nos seguintes, conhecemos Tommy Thompson, um engenheiro que, nos anos 1980, fica sabendo daquela história e resolve criar uma tecnologia capaz de promover a busca e o resgate dos tesouros do Central America. Tommy é um cara diferente, dono de uma inteligência capaz de reunir em torno de si não só os melhores técnicos nas áreas de que precisava - probabilidade, sonar, fotografia, iluminação, robótica, assessoria jurídica, etc. etc. etc. - mas também investidores que acreditaram em seu projeto ousado e arriscaram milhões de dólares (para ganhar bilhões).

Ao final, travamos ao lado deles batalhas navais e jurídicas para encontrar, recuperar e deter os direitos sobre o tesouro a 2.400 metros de profundidade, fornecendo ainda, após a operação toda, tecnologia para pesquisas biológicas, marinhas, oceanográficas, meteorológicas etc.

Tudo isso o livro nos ensina: a possibilidade das soluções simples e criativas, a persistência para vencer obstáculos aparentemente inexpugnáveis. E com uma leitura divertida e emocionante ao longo de suas mais de 500 páginas.

Beijocas!


Clara Arreguy, sábado, outubro 16, 2010. 0 comentário(s).

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Brasília Subermsa, um magnífico trabalho

Foi com orgulho que participei, ontem (quarta), da abertura da exposição Brasília submersa, do fotógrafo Beto Barata. Junto à mostra de 51 fotos, foi lançado o livro do qual tive a honra de participar. Fiz com Beto as pesquisas e entrevistas com pioneiros que trabalharam na construção da barragem do Lago Paranoá, e depois escrevi os textos do livro, respondendo ainda pela revisão.
Brasília submersa trata do lago artificial que banha a capital federal. Construído junto com a cidade, o lago conta histórias há 50 anos. Há, em suas águas, desde a natureza submersa ao longo do tempo, com animais e vegetais, até parte da história da construção, com uma vila de operários e sua arqueologia, automóveis que ali caíram por acidente, lixo, lixo e mais lixo.
Beto Barata é fotógrafo e mergulhador. Licenciou-se do Estadão no ano passado para cuidar do projeto, que teve recursos do Fundo de Apoio à Cultura do governo do DF. Trabalhamos muito, com emoção e dedicação. O resultado ficou maravilhoso. A exposição tem uma seção com fotos subaquáticas colocadas em molduras semelhantes a aquários. Tem um vídeo, feito pelo companheiro de trabalho André Corrêa, tem ampliações maiores e menores, tem objetos recolhidos da Vila Amaury. É muito emocionante.
Está em cartaz no anexo do Museu da República, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A história toda pode ser conferida no blog do Brasília Submersa: http://projetobrasiliasubmersa.blogspot.com/ .
Beijos!

Clara Arreguy, quinta-feira, outubro 14, 2010. 0 comentário(s).

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Recordar é viver

Republico aqui, a título de curiosidade, um artigo que publiquei no Estado de Minas, em 12 de outubro de 2002 - há exatos oito anos, portanto. Ainda atual, creio.

A festa da democracia
Clara Arreguy, 12/10/2002

Terminado o primeiro turno das eleições, fica a alegria da vitória de alguns, a decepção de outros tantos, e aquela deliciosa sensação de democracia quase madura. A festa da democracia é o melhor do período eleitoral, e pra mim, navegando na contramão das reclamações generalizadas, até o papelório no chão me alegra. Quando li que o chamado “lixo eleitoral” vai todo para reciclagem, então, aí relaxei mais ainda no gosto pela propaganda.

Mudando a paisagem das cidades – e até das estradas –, panfletos, banners, faixas, placas, outdoors, jornaizinhos, nada disso me incomoda. Pelo contrário. Acho que tudo isso faz parte da festa da democracia, assim como os comícios, carreatas e passeatas, e contribui, se não para a informação do eleitor, pelo menos para sua diversão. Pelo menos para a minha, com certeza. Até o horário eleitoral na TV, em que pese a amolação de 50 minutos – no segundo turno, serão “só” 40! –, tem suas vantagens. A primeira, na base da seriedade, é que os programas possibilitam aos eleitores se informar melhor sobre seus programas e propostas de governo, sobre sua história e visão de mundo. Ao mesmo tempo, permitem hilariantes sessões de comédia, com os casos e pessoas folclóricas, curiosidades que amenizam a sisudez daqueles que a gente leva mais a sério.

Rir de apelidos, de programas malfeitos, das idéias mais estapafúrdias soa como uma espécie de tempero para quem não se cansa de festejar a democracia. Esta numerosa juventude que já se tornou parte substancial do eleitorado não era nem nascida, e talvez os mais velhos já tenham se esquecido de quão danosa era a falta de liberdade de expressão no tempo da ditadura militar. Havia censura rigorosa aos candidatos às eleições proporcionais. Não havia eleição para presidente e governador, e os prefeitos das capitais também eram nomeados pelos governo central, nas mãos dos militares.

“Lei Falcão” era o nome da lei que proibia os candidatos de falar. Eles apareciam no horário eleitoral só com a carinha, nome e número – começando por 1 os da Arena, por 2 os do MDB. O bipartidarismo tinha suas mumunhas: em Muriaé, como em muitas outras cidades, havia Arena 1 e Arena 2, porque a construção do então maior partido da América Latina exigira a fusão nacional dos arqui-rivais UDN e PSD, inconciliáveis em certas realidades locais.

O silêncio dos candidatos tinha aquele nome porque foi imposto pelo ministro da Justiça, Armando Falcão, ele mesmo notório silencioso – ficou famoso por só responder às perguntas dos jornalistas com um lacônico e sonoro “nada a declarar”. A época era de terror e temor, mas brasileiro nunca perde a piada, então o ministro, naqueles anos 70, virou tema de uma boa anedota. Dizem que o presidente do Brasil chegou ao Paraguai e, ao ser apresentado à equipe de governo do país vizinho, não conseguiu conter o riso diante do ministro da Marinha. O presidente paraguaio, queimando no golpe, responde sem pestanejar: “Não ri não. Quando você me apresentou o ministro da Justiça eu fiquei quietinho”.

Quem viveu a falta de democracia sente mais a alegria desta festa toda, pelo menos mais do que quem já nasceu podendo espernear. Por isso, nesta época eleitoral, nem mesmo as distorções chegam a incomodar. Como a existência de 30 partidos, candidatos sem condição sequer de ser síndicos de prédio e que postulam a Presidência da República, governo do Estado ou cargos eletivos. Essas coisas, na verdade, têm que ser decididas pelos eleitores. E eles estão mandando seus recados pelas urnas, configurando o quadro político-partidário conforme identifica campos de proposta, linhas de ação, métodos de enfrentamento dos problemas nacionais, estaduais, municipais. Dependendo do ponto de vista, o eleitor pode estar acertando mais do que nunca, ou errando mais do que nunca. Mas, afinal, que bom que ainda somos nós, brasileiros, que temos nas mãos as rédeas desse processo, que pode fazer do nosso País um lugar mais alegre, mais humano e mais justo.

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Beijos!

Clara Arreguy, segunda-feira, outubro 11, 2010. 0 comentário(s).

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Um grande escritor

Em que pesem todas as críticas que se possa fazer às posições políticas de Mário Vargas Llosa - e eu faço todas, porque não concordo com uma linha do que ele diz desde que se candidatou à presidência da república, no Peru -, sempre fui uma grande fã de sua literatura. E tiro meu chapéu pra Nobel que ele ganhou hoje. Merecido. Trata-se de um grande escritor, autor de uma obra sólida, consistente, deliciosa.
Meu primeiro Vargas Llosa, A casa verde, me foi dado de presente de aniversário por meu padrinho João Batista de Assis Corrêa, tio, amigo, um jornalista referencial na minha história de vida e de profissão (dia 4 teria sido seu aniversário, mas ele já nos deixou, lamentavelmente). A casa verde me abriu o universo do escritor peruano, com sua multiplicidade de personagens e situações tão incomuns e tão populares. Ambientado na Amazônia peruana e em outros recantos esquecidos do país, mescla tempos e narrativas de maneira moderna e envolvente.
Quando li o romance, me apaixonei de tal forma que saí conferindo tudo dele: Pantaleão e as visitadoras, Conversa na catedral (um clássico!), A cidade e os cachorros (outro clássico), O elogio da madrasta, Tia Júlia e o escrevinhador, A festa do bode, e vai por aí afora, um mundo de narrativas ora barra-pesada, ora engraçadíssimas, ora políticas, ora extremamente doces.
A guinada liberal e pró-capitalista do cidadão Vargas Llosa tirou dele parte da simpatia e do charme, mas não as qualidades de grande escritor. Travessuras da menina má, o mais recente de seus romances que li, segue instigando, por dar conta de um mergulho implacável na alma humana.
Da minha parte, acho mais que justo o Nobel a Vargas Llosa. Como fã, me sinto contemplada.

Beijos!

Clara Arreguy, quinta-feira, outubro 07, 2010. 1 comentário(s).

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