Com Woody Allen, tudo dá certo

Foto: Divulgação

A boa e velha veia de Woody Allen está inteira em seu novo filme, Tudo pode dar certo, que acaba de estrear nos cinemas. Da trama cheia de armações e desarmações amorosas aos toques filosóficos que perpassam tudo; das interpretações de um elenco desta vez sem as figuras mais carimbadas à trilha sonora sempre de bom gosto, com espaço para Desafinado como tema de uma das personagens.

Larry David faz Boris, o irascível e insuportável velho niilista e mau-humorado que não dá conta da falta de sentido da existência até literalmente trombar com uma jovem cheia de vida, Melody (Evan Rachel Wood, com ele na foto), que, com sua doçura e maleabilidade, vive com ele um jogo de Pigmalião, tornando alta filosofia sua ingenuidade.

A entrada em cena da mãe de Melody promove uma guinada na trama, com novas possibilidades existenciais e amorosas para todos: para a jovem senhora, na carreira artística e no menage à trois; para a filha, com uma paixão inesperada; para o pai da moça, com a descoberta de outra sexualidade; e até para o próprio Boris, que mergulha na morte para reencontrar a vida.

Woody Allen não perde o pulso, a verve, as boas piadas, a chance de apostar em salvação, mesmo preconizando a falta dela. Como sempre, dá show.


Beijos!



Clara Arreguy, segunda-feira, maio 31, 2010. 0 comentário(s).

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Adeus, Zé Eymard

Foto: Divulgação

Eu ia fazer um post sobre coisas lindas da cultura brasileira, mas fui colhida pela tristíssima informação da morte do músico Zé Eymard. Fiquei chocada! Zé Eymard foi um amigo querido, uma pessoa linda, um companheiro divertido, um músico batalhador e incansável. Muito querido!

Zé Eymard não era aquele tipo de virtuose do saxofone. Era mais o coringa que joga em todas as posições, toca tudo, não discrimina nada. Era adorável cantar e dançar ao som de seu sax. Ou só ouvi-lo, como trilha sonora de romance ou fossa.

Eu já estava em Brasília quando ele lançou seu primeiro CD. Fez um show aqui, que assisti ao lado de poucos e felizes amigos. Nos divertimos, nos emocionamos com o reencontro depois de um tempo em que eu já não morava mais em nossa cidade natal, Belo Horizonte.

Era amigo dos meus irmãos, amigo dos meus amigos, amigo da música. Morreu aos 61 anos, novo demais, de um aneurisma na aorta. Enterro amanhã (sábado), no Parque da Colina.


Um beijo tristíssimo!



Clara Arreguy, sexta-feira, maio 28, 2010. 1 comentário(s).

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Inquietações de uma geração

Foto: Divulgação/Companhia das Letras


Os dilemas do protagonista de Um romance de geração, de Sérgio Sant'Anna (Companhia das Letras, 120 páginas), são típicos de um grupo de intelectuais que, vivendo sob ditadura, censura e cobranças de uma postura política, custou a perceber que seriam melhores quanto menos se ativessem à denúncia política.


No romance à moda de peça teatral, o escritor mineiro Carlos Santeiro destila ressentimentos numa falsa entrevista para uma jornalista. O que interessa no embate entre os dois é a afirmação de uma arte, uma atitude, uma ideologia. Isso não é dito, mas exposto por um discurso tão gasto quanto a cobrança de politização para quem almejava uma literatura mais existencial e menos engajada. Errou quem cobrou indevidamente, errou quem fez o que não sentia.


Sobressai, então, uma chuva de argumentos defensivos - mesmo que sem explicitar os ataques que os motivaram. Era claro para quem vivia aquela época. Hoje soam datados os conflitos de Carlos Santeiro, sobre escrever ou não, fazer ou não sucesso, ser ou não porta-voz de sua geração. À mulher cabe o papel secundário de ora corresponder, ora confrontar a verborragia do homem. E, se quiser, lhe dar o colo que só ela tem.

Beijos!


Clara Arreguy, quinta-feira, maio 27, 2010. 0 comentário(s).

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Aventura histórica

Foto: Divulgação

Personagem do imaginário mundial, Robin Hood virou até sinônimo de gente que tira dos ricos pra dar pros pobres. No cinema, quantas versões! Esta de Ridley Scott, que entrou em cartaz semana passada, busca um viés diferente: o surgimento da lenda, com a pré-história da turma que Robin liderou na floresta de Sherwood e tendo como adversários o xerife de Nottingham e os nobres e clérigos ingleses.

Russell Crowe e Cate Blachett estrelam a película, que tem ainda o grande Max von Sydow e William Hurt em papéis importantes. Na trama, a chegada dos soldados britânicos de volta de uma cruzada no Oriente Médio, as tentativas de ataque aos franceses (sob a liderança de Ricardo Coração de Leão), a chegada a Nottingham e o contato inicial entre Robin e Marion.

A questão política tem enfoque central, ao lado das batalhas e de muita ação. O filme prende por esses aspectos, pela boa reconstituição de época, pelas interpretações e por combinar bem os aspectos históricos, aventurescos e românticos.


Beijocas!



Clara Arreguy, sexta-feira, maio 21, 2010. 0 comentário(s).

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Sedução pretensiosa

Foto: Divulgação

Outro que não empolgou foi o thriller O preço da traição, em que Julianne Moore (D) desconfia da traição de Liam Neeson e, para tirar a história a limpo, contrata uma prostituta, Amanda Seyfried (E), para seduzi-lo e pôr à prova sua fidelidade. É claro que é um jogo de aparências, porque de cara fica claro quem seduz quem: a bela Chloe, que dá o título original ao filme, pretende envolver mulher, marido, filho, todos, porque está com fixada pela coroa charmosa.

O diretor Atom Egoyan não consegue contornar as deficiências de um roteiro marcado por obviedade e previsibilidade. Pretensioso no arremedo de erotismo sem elan, O preço da traição vale apenas pela presença desses dois grandes intérpretes, Julianne Moore e Liam Neeson, capazes de dar alguma veracidade aos conflitos e impasses de gente madura, mesmo numa trama improvável e de situações forçadas.


Beijus!

Clara Arreguy, quarta-feira, maio 19, 2010. 0 comentário(s).

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Monet na novela

Foto: Reprodução

Outro dia aconteceu um caso engraçado. A auxiliar da minha cunhada se chama Lineia. Goia, minha irmã, perguntou à jovem se ela sabia que havia um livro chamado Lineia no jardim de Monet. O livro, disse a Goia, explicava como Monet tinha um lindo jardim, com um lago cheio de ninfeias (flores aquáticas, foto) que ele pintava. E que, à medida que ia perdendo a vista, Monet borrava mais e mais as ninfeias, o lago, a ponte japonesa sobre a água. A nossa Lineia não tinha lido. Nem eu.

À noite, na penúltima semana da novela Viver a vida, cena da lua de mel do casal central, vivido por Mateus Solano e Alinne Moraes. Eles, em Paris, vão visitar a casa de Monet e Miguel conta a Luciana exatamente a mesma história que a Goia tinha nos contado à tarde. Claro que liguei pra ela imediatamente. "Escrevendo roteiro de novela, hein?"

Ela então me emprestou o livro, que é uma graça. Escrito por Christina Bjõrk, ilustrado por Lena Anderson e traduzido por Ana Maria Machado, ele usa uma menina curiosa e inteligente para contar a história do pintor Claude Monet, explicar o impressionismo e apresentar algumas obras-primas da arte universal. Além dos desenhos da coautora, traz fotos dos locais visitados, registros históricos e reproduções de quadros do pintor.

Com linguagem leve e gostosa, o livro (Editora Salamandra) introduz crianças e adultos no universo de um dos gênios da criação artística.


Besos!

Clara Arreguy, terça-feira, maio 18, 2010. 0 comentário(s).

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Alice cresceu

Foto: Divulgação

Devo confessar, em primeiro lugar, que não sou apaixonada por Alice nem por Lewis Carroll. Sorry. Então, a experiência com o filme de Tim Burton nem me encanta nem me decepciona, como aconteceu com aficionados.

Gostei da película, não me impressionam os efeitos, e o que achei mais legal foi a releitura que coloca Alice saindo da adolescência e tendo que entrar no mundo adulto ainda às voltas com os fantasmas da infância.

Os desempenhos de Johnny Depp e Helena Bonham-Carter, principalmente, são como sempre empolgantes. A criação visual do universo fantástico visitado pela menina, idem. Este Alice no país das maravilhas não deve nada a qualquer bom entretenimento. Mas não passa disso.


Beijocas!

Clara Arreguy, sexta-feira, maio 14, 2010. 0 comentário(s).

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Paul Auster, uma nova paixão

Foto: Divulgação

Desde que o Tiago Faria me apresentou a literatura de Paul Auster, com O caderno vermelho, me senti livre para novas experimentações literárias. Comecei a escrever coisas inspiradas nele - mas não necessariamente com o mesmo tema ou estilo. Agora acabo de ler a Trilogia de Nova York, dele, com as histórias "Cidade de vidro", "Fantasmas" e "O quarto fechado", cada qual mais impressionante que a outra - a terceira, sensacional, culminando um livro perfeito.

O que mais mexe comigo é como ele transita entre a experiência vivida e a inventada, costurando as coisas como uma só, e que é o grande barato de quem escreve. Eu, pelo menos, surfo nessa onda. E cada vez mais.

Nessas três novelas, Paul Auster é personagem e autor, mas nunca é ele mesmo e sim a recriação feita por um personagem inspirado por um fato que de fato lhe aconteceu. Complicado? Nem tanto. Delicioso. Como escreve bem! E como mergulha em situações especulares, propondo reflexões fundas e intrigantes. Experimentem!


Beijos!


Clara Arreguy, sexta-feira, maio 14, 2010. 0 comentário(s).

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Fogueira das vaidades


Homem de ferro 2. de Jon Favreau, explora bem o personagem dos quadrinhos, mas prefere mergulhar, desta vez, em questões psicológicas, como a dificuldade do herói, Tony Stark, de lidar com o papel que lhe cabe na sociedade, com a finitude, com o amor, com a fama e a sedução. Os rivais do Homem de Ferro, agora, são o governo norte-americano, que quer se apossar de sua armadura superpoderosa; a indústria bélica, que pretende afanar o invento do rival para vendê-lo às Forças Armadas; e um russo vingativo, que precisa provar ser coautor do invento e se vingar da família Stark.

Adoro o Robert Downey Jr. (foto) e o acho perfeito no papel do herói amargurado, mas o filme tem também um Mickey Rourke sensacional como o russo doidão; Scarlett Johansson, como uma agente dupla; a chatinha da Gwyneth Paltrow (que ganhou o Oscar que era da Fernanda Montenegro); Sam Rockwell, como o vilão industrial; e muitos outros bons artistas.

Com bons efeitos, música e ainda "questões" para pensar, Homem de Ferro 2 dá conta do recado, ainda que sem o impacto do primeiro.


Beijinhos!

Clara Arreguy, terça-feira, maio 04, 2010. 0 comentário(s).

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Policial com comédia

Foto: Divulgação

Misto de comédia romântica e filme policial, O caçador de recompensas, de Andy Tennant, consegue divertir os fãs dos dois gêneros, graças a uma trama bem urdida e à atuação convincente de Jennifer Aniston e Gerard Butler (foto). Os dois são ex-marido e ex-mulher que, sem querer, se metem numa investigação em que o melhor amigo de ambos, um tira honesto, é suspeito de envolvimento em tráfico de drogas. Os temperamentos semelhantes da dupla principal tempera a graça do enredo, em que ela tem a prisão decretada e ele, ex-policial, vai atrás da recompensa de 5 mil dólares para pagar parte de sua dívida de jogo.

Entre idas e vindas, o novelo se enrosca e desenrosca, até que a paixão deles volte a aflorar e os interesses divergentes comecem a convergir. A correria, as perseguições e piadinhas são de bom gosto. Nada, como diria o Marcello Castilho, outstanding, mas vale uma diversão na sala escura.


Beijocas!


Clara Arreguy, terça-feira, maio 04, 2010. 0 comentário(s).

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