Pedras que rolam

A crônica da qual falei, que publiquei no Correio Braziliense alguns meses atrás, antes da viagem de férias de bike pelo litoral:


Quem fica parado é poste. Pedras que rolam não criar musgo. Mudar — nem que seja pra pior. Os ditados se sucedem quando se fala em mudança. Todo mundo sabe que qualquer processo de crescimento ou enriquecimento implica em sofrer mutações, sair da comodidade do já conhecido, trincar o cristalizado, deixar o conforto do que é familiar. Mesmo assim, todo mundo sofre quando chega sua vez de quebrar paradigmas.
Brasília, como cidade planejada e construída do quase nada no quase nada, reúne grande número de pessoas que para cá se transferiram e, portanto, saíram de sua terra, dos horizontes aos quais estavam habituados, as vizinhanças, costumes que muitas vezes não é possível levar junto. No entanto, vira a mexe novas e novas mudanças se fazem necessárias, ajustes, procuras e encontros que exigem capacidade de adaptação e maleabilidade.
À beira dos 50 anos, passamos, um grupo de amigos, por isso, ao adotar a bicicleta como exercício — inicialmente para a saúde, em seguida para o lazer, eventualmente como meio de transporte (faltam muitas ciclovias no nosso caminho para ela ser opção de vida, não de morte no trânsito). Mas, fundamentalmente, a magrela (ou camelo, como só aqui em Brasília descobri que se chamava) virou instrumento de prazer. Daí a termos associado às férias.
Sempre tive o mês de férias como período de descanso, reclusão, dolce far niente, adeus às preocupações e a qualquer ocupação. Agora, em lua de mel com minha bike, parto para um desafio diferente, de encarar 1.200km em 20 dias, média de 60km por dia. Ao meu lado, conto com amigos experientes e bravos, em todos os sentidos, que proverão segurança e estímulo para dar conta do desafio.
Com força e com vontade, pé quente, cabeça fria, o friozinho na barriga será o empurrão inicial para enfrentar o que virá, venha o que vier depois de cada curva. Será luta, esforço, trabalho. Será aprendizado, crescimento, ganho. Será sobretudo o novo. Com coragem e alegria. Depois eu conto. Até a volta!

Clara Arreguy, terça-feira, setembro 15, 2009.

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