2018: jan . fev . abr . mai

2017: jan . mar . abr . jun . ago . set . nov . dez

2016: jan . fev . mar . abr . jun . jul . out . nov . dez

2015: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2014: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . dez

2013: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2012: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2011: jan . fev . mar . abr . mai . ago . set . out . nov . dez

2010: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2009: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2008: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2007: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2006: fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez






Um clássico dos anos 70

Não li na época, só agora, um clássico: o romance "Reflexos do Baile", de Antônio Callado (Nova Fronteira). Lembro que era uma unanimidade, em meados dos anos 1970. Callado era comunista, ligado ao Partidão, e seu livro fala de uma tentativa de sequestro de embaixadores, algo muito presente naqueles tempos.

A leitura do livro não é fácil. O autor o estrutura em cartas, bilhetes, mensagens trocadas entre personagens, mas apenas o destinatário é identificado, não o remetente. Então, levei umas boas páginas até me situar no quem é quem da trama, e mesmo assim às vezes me perdia. Fazia parte também do momento político e cutural um pouco de hermetismo, dificultar a compreensão, via mensagens cifradas, porque a censura agia e tirava de circulação o que considerasse ameaçador.

O romance de Callado mostra um grupo de jovens idealistas e meio inconsequentes, uma delas a musa de esquerda e direita, a bela filha de um diplomata, que facilita a aproximação entre os guerrilheiros e as possíveis vítimas, num baile que lembra o último da ilha fiscal (como bem assinala Davi Arrigucci Jr. no posfácio). Os personagens do corpo diplomático, alguns alienados e fúteis, outros com a cara golpista também típica, fazem o contraponto entre os dois lados.

Apesar dos tropeços iniciais, insisti na leitura e acho que valeu a pena, por ser um retrato de época precioso, com estilo diferente e bem característico de um Brasil que vivi na minha juventude - e que felizmente se abriu para a democracia.

Beijins!

Clara Arreguy, domingo, dezembro 07, 2014.

______________________________________________________