2018: jan . fev . abr . mai

2017: jan . mar . abr . jun . ago . set . nov . dez

2016: jan . fev . mar . abr . jun . jul . out . nov . dez

2015: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2014: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . dez

2013: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2012: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2011: jan . fev . mar . abr . mai . ago . set . out . nov . dez

2010: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2009: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2008: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2007: jan . fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez

2006: fev . mar . abr . mai . jun . jul . ago . set . out . nov . dez






Trabalho doméstico, a questão


Não poderia também deixar de dar pitaco na polêmica sobre "Que horas ela volta?", de Anna Muylaert, sobre a empregada doméstica e seu lugar na sociedade brasileira. Duas coisas me chamam mais a atenção nesse filme ótimo e necessário, além das atuações de Regina Casé e Camila Márdila: a maneira como aborda a questão do trabalho doméstico, um tabu pouco e mal tratado nas expressões culturais nacionais; e a situação trazida pelo enredo, da quebra do status quo, só possível no Brasil pós-12 anos de governo popular.

Primeiro ponto: ainda hoje conheço gente "de bem" que acha um absurdo doméstica "querer" ter os mesmos direitos que "nós" - ouvi isso, explicitamente, de uma pessoa "normal", poucos meses atrás. Ainda hoje as pessoas e famílias acham normal um trabalhador que não tem nem direitos nem condições de trabalho balizadas pelas mesmas regras. E mais: que moram nas casas dos patrões, compartilham espaços, mas desde que saibam "seu lugar", que em hipótese alguma é à mesma mesa, tomando o mesmo sorvete...

O outro ponto é a entrada em cena da filha da empregada, que traz não apenas a consciência social dos papéis e direitos, como a oportunidade de quebra da multiplicação intergeracional do mesmo destino. Jéssica, filha de Val, entra na trama para trazer o estranhamento do "outro" que vê o invisível e diz o indizível. E para mostrar que no Brasil, hoje, a filha da empregada pode ser arquiteta, pode cursar a universidade, pode ser melhor aluna que o filho do patrão.

"Que horas ela volta?" mostra tudo isso com sutileza, inteligência, leveza, amparado em interpretações soberbas, em diálogos reais, em situações precisamente construídas. É um belo filme, bom e importante na atual conjuntura.

Beijins!

Clara Arreguy, domingo, outubro 04, 2015.

______________________________________________________