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Metáfora política e social



Descobri o Magno Mello por um desses acasos que nos levam a pessoas tão distantes e tão próximas. Afinal, somos ambos escritores, gostamos ambos de música (ele é profissional), estávamos ambos em Brasília no dia do lançamento do livro dele e temos em comum um parentesco cruzado.

"Trustália", seu romance de estreia, sai pela Chiado e traz como subtítulo "uma quase distopia", o que promete. Assim como as primeiras linhas do livro, que nos apresentam uma situação fantástica: após a incidência de uma estranha luz colorida sobre uma cidade, as pessoas começam a ouvir os pensamentos umas das outras, o que acarreta uma verdadeira revolução na vida de todos.

Assim se traça a trama de "Trustália", nome da cidade fictícia dominada por um "dono de quase tudo", que explora o garimpo e controla com mão de ferro a "paz social". O Comandante e outros personagens da cidade, como o padre, a professora, etc., são os fios dessa teia, desse novelo. Que trama a história de cada um e do coletivo, no presente narrativo e no passado, em flashbacks.

No aspecto de crítica política metafórica, o livro se resolve muito bem, ao compor os personagens autoritários e violentos, de um lado, e os altruístas, de outro. Os corajosos e os medrosos. Os que enfrentam os próprios fantasmas e os que fogem e se submetem aos limites de uma "felicidade" sem riscos. A busca do amor e a construção de um método de ensino inclusivo temperam o novelário da cidade.

Do que senti falta foi de mais elementos da distopia proposta. O fator externo, misterioso, que desencadeia toda a mudança nas relações, fica praticamente esquecido no miolo da trama, substituído por um "tudo caminhava tranquilamente" que predomina a maior parte do tempo. No fim a questão até volta à tona, mas não se aprofunda nem no aspecto científico nem no psicológico. Fica apenas como uma boa ideia.

A escrita de Magno Mello é fluente, ele compõe personagens interessantes, sabe construir climas. Falta uma revisão melhor, para evitar alguns erros recorrentes. Mas a fluência geral prevalece ao final das contas.

Beijos!

Clara Arreguy, sábado, junho 18, 2016.

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